Entenda como funciona a distribuição do dinheiro na Fórmula 1

Ecclestone
Crédito da foto: Paul Gilham/Getty Images

A Fórmula 1 é um dos esportes que mais movimenta dinheiro no mundo. Com renda operacional na faixa dos quase 2 bilhões de dólares ao ano, a crise no esporte está longe de ser por motivos financeiros.

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Para compreender a distribuição, primeiramente é necessário entender o que é a FIA, a Formula One Group e a FOM. A FIA (Federação Internacional do Automóvel) é uma entidade esportiva responsável pela regulamentação da Fórmula 1, bem como de várias outras categorias. Ela inspeciona circuitos, emite credenciais para os eventos, homologa carros, entre outras coisas. A Formula One Group é um grupo de empresas responsáveis pela promoção do campeonato de Fórmula 1 e pela exploração dos direitos comerciais do esporte. A FOM (Formula One Management) é a principal entidade operacional do grupo e controla os direitos de transmissão da categoria. Ou seja, a FOM está contida na Formula One Group, enquanto a FIA é uma entidade separada.

Chegou a hora de entender como funciona essa distribuição. Ressaltando que os valores não são divulgados abertamente pela categoria, então utilizaremos um exemplo que servirá como estimativa para melhor compreensão. Para isso, teremos ajuda das informações publicadas pelo especialista no assunto, o jornalista Joe Saward.

O lucro do ano anterior é a renda líquida utilizada para toda a distribuição, porém, a FIA (entidade esportiva) está fora dessa distribuição – ela arrecada através de outras fontes (licenças e taxas). O exemplo que utilizaremos será com o lucro operacional de 1,8 bilhão de dólares, um valor provável e possível para um lucro de uma temporada como a de 2014.

Primeiramente, esse valor de U$1,8bi é dividido em 50% para a Formula 1 Group e 50% para as equipes (U$ 900 milhões para cada), porém, 2,5% de cada uma das duas partes, ou seja, 5% de todo esse dinheiro vai diretamente para a Ferrari antes de outras distribuições (U$90mi).

Esses 47,5% do dinheiro que, de fato, foram para o Formula One Group são divididos da seguinte maneira: 36,1% (U$650mi) vão para a Delta Topco (controladora do grupo), CVC Capital Partners, Bernie Ecclestone e outros acionistas. É desta porcentagem também da qual é tirado o valor para determinadas despesas e dívidas. Outros 7,5% (U$135mi) vão para um fundo “bônus” do campeonato de construtores, do qual, fazem parte a Ferrari, a McLaren e a RedBull. Esta é uma das partes controversas da distribuição, visto que seriam equipes de “valor histórico” e a Red Bull é uma equipe comparativamente nova na categoria. Outros 3,3% (U$60mi) vão para outras duas equipes: Mercedes e Williams. Aqui nestes últimos 10,8% vemos os acordos unilaterais feitos por Bernie Ecclestone para manter a categoria “unida”. Os 0,55% restantes (U$10mi) vai para equipes que ficarem em 11º e 12º lugar no campeonato, caso existam.

Dos 47,5% (U$900mi) que vai para as equipes, (valor do qual já foi tirada a porcentagem de 2,5% para a Ferrari), é feita uma divisão onde metade, 23,75% (U$427mi), é distribuída igualmente entre todas as 10 primeiras equipes – uma espécie de distribuição padrão da categoria. A outra metade de 23,75% é distribuída conforme a performance das 10 equipes, ou seja, a campeã do campeonato de construtores recebe mais e o valor vai diminuindo até chegar na 10ª colocada. A campeã recebe 19%, a segunda colocada 16%, a terceira 13%, depois 11%, 10%, 9%, 7%, 6%, 5%, e 4% do valor total. Você pode visualizar tudo isso no gráfico abaixo:

Gráfico traduzido do material publicado por Joe Saward.
Gráfico traduzido do material publicado por Joe Saward.

Opinião

Há vários pontos questionáveis nesta distribuição: antigamente, as equipes não recebiam nem 50% (essa porcentagem aumentou). Acredito que ainda é baixa para uma distribuição justa, onde todas as equipes (não somente as 10 primeiras) poderiam receber, ao menos, a ‘distribuição padrão’. Além disso, é justo que a Ferrari receba quatro vezes? E que determinadas equipes recebem três vezes enquanto outras recebem duas ou apenas uma vez?

Sou a favor de existir uma distribuição diferenciada, por performance, conforme a posição da equipe no campeonato, pois isso é um motivo para competição, mas essa divisão poderia ser feita com todas as equipes e não somente com as 10 mais bem colocadas. Além disso, se fosse aumentado o percentual dado na distribuição padrão e diminuídas as porcentagens extras a determinadas equipes, as pequenas ganhariam uma verba maior e isso faria grande diferença para elas. Uma outra sugestão seria a de criar uma porcentagem de “bônus auxílio” a equipes com até 5 anos na categoria, ou seja, até que conseguissem ter certa estabilidade através de uma receita inicial mais decente. E você, leitor? O que acha?

Foto: Getty Images



Autora do blog sobre automobilismo Racing Journal: https://racingjournal.wordpress.com/