Erros de arbitragem: Santos, campeão moral de 1995

17 de Dezembro de 1995, uma data que ficou marcada — negativamente — na vida dos santistas da nova e velha geração. Meses antes, a FIFA havia determinado que cada vitória no Campeonato Brasileiro seriam validados 3 pontos, e não somente dois.

Após um primeiro turno regular, o Santos saiu da zona de conforto e engrenou uma reação nunca vista antes. Faltavam apenas sete rodadas e o Alvinegro Praiano precisa vencer praticamente todos os jogos restantes para assegurar a classificação. Difícil? Não para o time da virada!

O time embalou uma sequência de seis vitórias e um empate, ficando com terceira melhor campanha do grupo. Disputou uma semifinal eletrizante com o Fluminense, na qual venceu por 5 a 2.

Enfim, a grande final do Campeonato Brasileiro de 95. Cara a cara Botafogo de Túlio Maravilha e Santos de Giovanni (o Messias). E a má intenção da arbitragem já se manifestou no primeiro jogo.

Três impedimentos mal marcados impediram que o craque do campeonato, Giovanni, pudesse deixar o Santos com uma vantagem confortável no jogo da volta. A partida terminou 2 a 1 para o Botafogo. Túlio Maravilha e Wilson Gottador marcaram para o time da casa, e o incansável Giovanni recolocou o Peixe na disputa.

Mesmo em desvantagem, o torcedor santista sabia da força da equipe, principalmente jogando em sua segunda casa. O Pacaembu estava tomado de esperança, uma vitória simples daria o título ao Santos. O grito de “É Campeão” estava entalado na garganta, mas naquele 17 de dezembro teve que ser engolido a seco.

Márcio Rezende de Freitas protagonizou uma das maiores patifarias envolvendo arbitragem brasileira.

Eram marcados 24 minutos da primeira etapa quando bem próximo da linha lateral o time do Botafogo conseguiu uma falta a favor. A bola foi alçada na área, há o desvio na trajetória, e Túlio, (escandalosamente) impedido, abriu o tento no Pacaembu. Segundos de revolta, amparados por um contínuo silêncio da torcida que vestia branco, em contraste com rasgos de alegria vindos de uma parcela de botafoguenses ali localizados.

No gol de empate, Marquinhos Capixaba levou com a mão e tocou para Marcelo Passos marcar. Outro gol irregular que árbitro “inspirado” validou. Para ser campeão, o Peixe só precisava de mais um gol, e conseguiu no final da partida com Camanducaia. No entanto, Márcio Rezende anulou o gol legítimo do Santos alegando um impedimento que nunca existiu.

Mas, no tira-teima o meia santista estava 59 centímetros atrás de Leandro Ávila no momento da cobrança de Marcelo Passos. O mais revoltante foi que o bandeira não assinalou nada, Rezende ignorou e assumiu por si só total responsabilidade no lance que culminou no primeiro título Brasileiro do Botafogo.

Márcio Rezende ainda foi punido e ficou sem apitar jogos do Santos na Vila Belmiro. No entanto, dois anos depois, o árbitro foi escalado para apitar novamente o duelo entre as equipes, dessa vez no Rio de Janeiro. Partida vencida por 2 a 1 pelo time carioca.

Confira os sucessivos erros de Márcio Rezende de Freitas na fatídica final de 95;

Crédito da foto: Acervo Santista

 

 



Súdita do Pelé e da Marta. Acredito na ética jornalística e no diálogo como primeiro passo para a reflexão e ação. Apaixonada pelo futebol feminino.