Franco Ferreiro: gaúcho “aposentou” Guga no Brasil e virou DJ

Marcelo Ruschel/POA Press/Divulgação

A temporada de 2004 foi a última em que Gustavo Kuerten deu alegrias ao tênis brasileiro. Vitória implacável sobre o número 1 do mundo Roger Federer em Roland Garros e o título do Brasil Open, na Costa do Sauípe, foram os lampejos de um ano complicado para o “manezinho”, já debilitado pelas seguidas dores no quadril. Na semana em que ganhou na Bahia, um jovem gaúcho atraía muitos torcedores para uma das quadras secundárias do chiquérrimo resort.

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Usava faixa na cabeça, batia com a esquerda de uma mão… Calma, não vamos forçar em compará-lo a Guga, mas talento aquele menino Franco Ferreiro tinha. E muito. Na ocasião, foi convidado pela organização do Brasil Open pelo segundo ano seguido a disputar a chave principal e perdia para o também jovem francês Richard Gasquet. Com 20 anos, já estava há algum tempo dentro do top 250, após uma ascensão rapidíssima no ranking.

Na transição para o profissional, Ferreiro fez o trivial – passou por Futures, depois Challengers, mas tinha dificuldade de ultrapassar a barreira para os grandes torneios do circuito. Não é à toa que por quase cinco anos o gaúcho rodeou entre a faixa dos 200 e 400. O menino de Uruguaiana precisava de um empurrãozinho para voltar a saltar, e isso aconteceu em 2008.

Uma ótima fase em Challengers – tendo sido o último algoz de Guga em solo brasileiro ao derrotar o tricampeão de Roland Garros em um torneio de Florianópolis – levou Franco ao top 200 e permaneceu ali com solidez até o final da temporada. No começo de 2009, o gaúcho fez excelente campanha no ATP 250 de Buenos Aires. Após furar o qualifying, Ferreiro bateu top 100 na chave e só perdeu para o top 20 Tommy Robredo nas quartas de final. O resultado fez com que o então capitão brasileiro da Copa Davis, Chico Costa, convocasse o jogador para a série contra a Colômbia pelo Zonal Americano.

Ferreiro fez bonito e venceu o hoje top 100 Santiago Giraldo com propriedade na altitude de Tunja, e ajudou o País a sair com a vitória. Em seguida, o gaúcho passou o quali de Roland Garros e esteve muito próximo de bater Feliciano López na estreia. Chegou a abrir 2 sets a 0, mas permitiu a virada. Na sequência, o jogador começou a perder rendimento no individual, além de problemas de contusão. Assim, começou a pegar gosto pelas competições de duplas.

Duplas

Em 2010, “por acaso”, Ferreiro formou parceria no Challenger de Blumenau com o experiente André Sá, que buscava um parceiro fixo no circuito após se separar de Marcelo Melo. Ao final da semana, conquistaram o título e mais cinco juntos (só o gaúcho levou oito troféus no total). Foi o passaporte para entrar pela primeira vez no top 100 da modalidade e se credenciar para jogar competições mais fortes do calendário.

Ferreiro e Sá disputaram chaves de Grand Slam em 2011 e foram campeões do ATP 250 de Kitzbuhel, na Áustria, o único título do gaúcho em competições de alto nível. Por tudo isso, conseguiu ser número 53 do ranking da entidade em duplas (contra 136º, no máximo, em simples).

Em 2012, Ferreiro parece ter perdido a motivação de seguir no circuito e decidiu investir na carreira de DJ, já que sempre foi apegado à música eletrônica. Pelo site da ATP, o gaúcho disputou pela última vez um torneio profissional no começo daquela temporada, no Aberto de São Paulo.

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Foto: Marcelo Ruschel/POA Press/Divulgação



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.