José Roberto Wright: o árbitro que tinha o costume de ser personagem principal

Crédito da foto: Reprodução/CBF TV.

Vá a Minas Gerais. Pode ser em Belo Horizonte mesmo. Por mais que seja a capital do estado mineiro, BH possui um caráter interiorano delicioso, e a calma mineira é um bom refúgio para ares paulistas e cariocas. Porém, basta pronunciar um nome por essas bandas, que toda essa calmaria se tranforma em ódio e amargura por (para não gerar brigas, vamos combinar 50%, ok?) parte dos mineiros.

Esse nome é José Roberto Wright. Para os atleticanos, e os menos fanáticos e mais justos amantes do futebol, só a mera menção do ex-árbitro já gera calafrios. Antes de entrar no mérito do porquê de tanta aversão a Wright, vamos saber mais sobre o juiz que exerceu várias funções fora dos campos.

Wright, antes de tudo, é prestigiado. Além de ser filho de Benjamin Wright, radialista que ajudou a fundar a Rádio Nacional, o ex-árbitro possui um currículo invejável. São três finais da Libertadores da América, sete finais de Campeonato Brasileiro e uma Copa do Mundo, de 1990, na Itália. Aliás, foi eleito o melhor árbitro dessa Copa, além de melhor do mundo no apito naquele ano. Teve outros reconhecimentos, como ser reconhecido pela IFFHS o melhor árbitro brasileiro da história e o 23° do mundo.

Todas essas premiações foram poeira perante o Serra Dourada, na Copa Libertadores da América de 1981. Em jogo válido pela fase de grupos da competição, Wright (que era proveniente do Rio de Janeiro, mas naquela ocasião estava ligado à federação catarinense) virou o protagonista de um, potencialmente, ótimo Flamengo e Atlético-MG. De um lado Zico, Adílio, Leandro e Junior. Do outro, Toninho Cerezo, Palhinha, Éder e Reinaldo. Monstros que poderiam transformar a partida em duelo épico.

Mas José Roberto Wright não se importou em apitar um espetáculo. Visivelmente destemperado desde o início da partida, o árbitro não parecia atuar em plenas faculdades mentais. Logo aos 10 minutos de jogo, Reinaldo fez uma falta absurdamente comum em Zico – mesmo para critérios brasileiros. Wright expulsou o Rei do Mineirão, causando o primeiro baque no Atlético. Após um lance extremamente confuso, onde Éder pega a bola e resvala no juiz, o ponteiro-esquerdo é expulso, sem mais nem menos. Revolta do Galo.

A confusão foi instaurada em campo, e no meio dela, dois jogadores foram expulsos. Acho que não é necessário falar de que lado. Palhinha e Chicão foram para o chuveiro mais cedo. Além deles, todo o banco do Galo também foi expulso por Wright, totalmente descontrolado (ou não) em campo. Tudo isso em torno de 35 minutos.

Após isso, não restava mais opções para o time do Atlético. João Leite, goleiro do time mineiro, foi orientado para cair em campo, demonstrando lesão para que, com mais um jogador fora, a partida fosse encerrada. Em uma nova confusão decorrida dessa situação, Wright fecha com chave de ouro expulsando o zagueiro Osmar Guarnelli, decretando assim o final da partida.

Nada mais após ali foi capaz de redimir José Roberto Wright. O árbitro passou a ser odiado, sua idoneidade passou a ser cobrada. O jogo realizado no Serra Dourada nunca terminou verdadeiramente.

Após encerrar a carreira, José Roberto virou comentarista de arbitragem da TV Globo, além de colunista do diário Lance!. Na Globo, Wright até mesmo foi um dos pioneiros como comentarista de arbitragem, e trouxe novos rumos à função.

Curiosamente, em 2012, deixou a Rede Globo e foi ser ouvidor de arbitragem na CBF. Responsável por receber as reclamações sobre o assunto na entidade que dirige o futebol no Brasil, não se sabe se o primeiro trabalho do ex-árbitro foi analisar uma fita de um jogo que jamais sairá da memória dos atleticanos, lá de 1981, que lhe deve ser muito familiar.

 

Confira os lances polêmicos da partida entre Atlético-MG e Flamengo, pela Libertadores de 1981:

Crédito da foto: Reprodução/CBF TV.



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.