Mauro Beting desabafa sobre Valdivia: “Eu já amei e odiei você”

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Palmeirense declarado, o jornalista Mauro Beting fez um desabafo poético em seu perfil no Instagram no fim da tarde desta segunda-feira, 17, dia em que Valdívia deixa o Palmeiras pela segunda vez.

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Após sete anos no Palmeiras, Valdívia se despede pela segunda vez da casa que ele mesmo disse que aprendeu a amar. O amor, todos sabemos, é um sentimento subjetivo – cada um ama do seu jeito. Tanto o “Mago” quanto o torcedor palmeirense pode explicar esse amor de maneiras diferentes, mas nenhuma delas pode ser classificada como única ou verdadeira.

Seguindo esta linha, o jornalista e palmeirense Mauro Beting fez uma declaração pública poética ao agora oficialmente ex-camisa 10 do Palmeiras.

“Eu já desconfiei de você, amei você, odiei você, admirei o que faz, o que é. Quis sua presença, desejei sua ausência, sonhei com a volta, tive pesadelo com meu pensamento”, diz um trecho do texto.

O jornalista ainda reserva um espaço em seu “desabafo de bronca e agradecimento” para cutucar as recentes declarações de Valdívia, que repetiu inúmeras vezes que somente ele sabe o que foi jogar com dores.

“Sei que só você sabe as suas dores. Mas não venha achar que o Palmeiras e o palmeirense não sabe quem joga por amor. Se você sentiu a coxa, saiba que o palmeirense sente ainda mais o coração. E ele não recebe pra isso. Ele paga por isso”, ressaltou Beting.

Veja abaixo, na íntegra, o texto publicado pelo jornalista em seu perfil no Instagram.

O âmago, Valdivia:

eu já chorei rindo como você na foto. Já ri chorando. Mas nunca fingi tristeza, nem alegria e nem chute no Palmeiras. Você é ídolo do mais carente palmeirense de todos os tempos. Desde 2010, você esteve disponível em 44% dos jogos. Em quase todos os poucos que jogou você esteve disposto. Ao menos mais disposto e atento do que em algumas das tantas recuperações por lesões. Ou nas ausências por cartões injustificáveis. “Chinelo chileno” é maldade. Tanto quanto dizer que o seu jogo de despedida foi o da sua reestreia. Você não merece. O Palmeiras, também não.

Muitas vezes você foi um cara que quis jogo, mas o corpo não ajudou. Como, algumas vezes, você não ajudou o corpo. E muito menos a alma. O “âmago”, caro mago.

Em 2014, você não tinha a menor condição de jogar a última partida. Você tomou na veia e foi com o sangue verde dividir bolas, multiplicar esforços, e somar o ponto suado da permanência na Série A. Você foi o que muitos palmeirenses acham que você ainda é.

Eu já desconfiei de você, amei você, odiei você, admirei o que faz, o que é. Quis sua presença, desejei sua ausência, sonhei com a volta, tive pesadelo com meu pensamento. Queria ver suas partidas eternas, queria ver a sua partida definitiva do clube. Já quis ver Valdivia com a 10 nas costas, já quis ver Valdivia pelas costas, já dei de ombros, de costas. Torci pela União dos Emirados, queria ver mais diárias na Disney, mais vezes você em campo, menos vezes no DM, mais vozes berrando pelo chileno, menos vozes urrando pelo chinelo. Eu queria o camisa 10 do Chile na Copa América. Não o 171 da Copa Kaiser.

Sei que só você sabe as suas dores. Mas não venha achar que o Palmeiras e o palmeirense não sabe quem joga por amor. Se você sentiu a coxa, saiba que o palmeirense sente ainda mais o coração. E ele não recebe pra isso. Ele paga por isso.

Paga para ver um jogador se dar e doar. Você só tem a ganhar. A torcida ainda está com você, ainda que algumas vezes você pareça não estar nem aí.

Você está indo jogar fora do Palmeiras. Boa sorte. Se voltar, não jogue fora o que restou de você no Palmeiras.

Foto: Reprodução Instagram / @maurobetingoficial