Opinião: Adiós, El Mago, e obrigado por tudo!

Valdívia
Foto: Getty Images

Chegou então o dia 17 de agosto de 2015, o dia do adeus definitivo para um dos jogadores que melhor sintetizaram o espírito da torcida palmeirense em campo nos últimos anos.

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Mas não estamos, claro, falando daquela torcida que é profissional, daquela que aparentemente contém em suas fileiras profissionais contábeis que calculam custos x benefícios de forma fria e calculista. Não estamos levando em conta aqueles que por falta de melhores objetivos pessoais depositam em um time de futebol todas as suas esperanças, anseios e frustrações. E sequer citaremos aqueles que, por falta de opinião própria ou talvez por medo de represálias, ecoam frases feitas como se fossem seus próprios mantras pessoais.

Se para uma parcela gorda da torcida palmeirense o chileno é agora persona non grata, seja por suas constantes lesões, por sua recente negociação com os rivais do outro lado do muro ou ainda pelas declarações infelizes de sua digníssima esposa nas redes sociais, essa outra parcela de torcedores “comuns” (vamos chamá-los assim) tem e continuará tendo no antigo camisa 10 a personificação de toda irreverência que não se vê mais no futebol moderno.

Sentiremos falta, Valdivia, de seus chutes no vácuo e do chororô para cima dos adversários em partidas decisivas, ao invés dos profissionais do futebol tão próximos e amigos uns dos outros, com tapinhas no bumbum, pedidos de desculpas e sorrisos marotos. Sentiremos falta das respostas enviesadas para os repórteres e suas preguntas capciosas, ao invés do discurso polido e formal, de “trabalhar para buscar os três pontos”. Acho que sentiremos até falta da agonia da dúvida para saber se você estaria ou não apto para o próximo jogo, se você iria disparar mais uma vez sobre a ineficácia do departamento médico ou se deixaria mais uma vez nas entrelinhas todas as vezes que teve que jogar infiltrado para garantir um título ou salvar-nos de um rebaixamento próximo.

Mais do que isso, sentiremos falta das assistências milimetricamente colocadas entre a defesa adversária, ao invés dos chutões e lançamentos desesperados que se tornou o meio de campo palmeirense. Sentiremos falta dos dribles que desestabilizavam e desorientavam o adversário, ainda que muitos deles tenham lhe rendido tornozelos inchados pelas pancadas posteriores, mas sempre cavando faltas preciosas na entrada da área e cartões das mais variadas cores. Com toda certeza sentiremos falta daquele referência no meio, daquele “dá no Valdivia que ele resolve”, daquela bola que vem torta e em um passe de mágica se torna redonda.

Peço perdão ao leitor pelas onomatopeias e pela falta de articulação verbal, mas sentiremos falta de escutar o torcedor amigo do nosso lado na arquibancada soltar um “vish…”, um “nossa-mãe-de-deus que bolão…”, um “sélôco, olha como o futebol é fácil no pé desse cara…”.

E com todo respeito ao torcedor-custo-benefício, sentiremos falta do futebol que é bonito de se ver.

Obrigado por tudo, Mago, e boa sorte.

Até nunca mais.

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Gerente de infraestrutura e palmeirense, ambos em tempo integral. Amante do esporte bretão e de (quase) todos times que vestem verde, mas invariavelmente fala sempre do seu eterno alviverde imponente.