Opinião: O que precisa mudar para o Flamengo voltar a vencer

Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo mais uma vez decepcionou a sua torcida. De uma equipe que vinha em evolução, bastou mais um clássico e nova derrota contra o Vasco para a equipe decepcionar o seu torcedor e conturbar o ambiente.

Mas o que acontece com o rubro-negro que não consegue a tão esperada regularidade? São vários os fatores, mas entre eles, cito alguns que não podem ficar de fora da análise.

Respeito e comprometimento: A torcida desde o ano passado exige da equipe esses dois importantes elementos. Ambos existem, mas o segundo nem sempre dá certo. É nítido que alguns jogadores não entendem a filosofia e a importância que é vestir essa importante camisa. Falta concentração, dedicação e uma postura mais profissional. O Flamengo não chegará longe se comparando apenas com o Vasco. O time deve se preocupar apenas consigo mesmo, reconhecer as suas deficiências técnicas e focar nos aspectos mais positivos.

Erros de fundamento: A equipe, seja por culpa de Cristóvão Borges, que pediu a sua demissão ou simplesmente pela falta de atitude, erra demais nas questões básicas do futebol. Em todas as partidas vemos que a bola aérea é um problema grave e responsável pela maioria das derrotas. Os laterais apoiam, mas não sabem cruzar. Os volantes erram passes de poucos metros e não arriscam chutes. O meio é muito compacto e exige que os atacantes voltem para buscar a bola. Desta maneira, o ataque fica isolado e sem entrosamento. Para resolver esses problemas é necessário treinos táticos e em excesso.

Vaidade: Por mais que digam o contrário, a sensação que se tem nas partidas é de que há muita vaidade do elenco. Alguns estão incomodados por não serem considerados estrelas ou parte importante do grupo. Qualquer equipe para dar certo precisa de equlibrio, união e sabedoria do elenco para saber o papel de cada um. Depender apenas de um ou dos jogadores é um erro para quem sonha em ir longe.

Elenco: O Flamengo contratou bastante jogador para a temporada, mas não tem um time definido. Não sou o treinador, porém parece óbvio que Cristóvão Borges poderia ter utilizado uma equipe mais forte para jogar. O time é carente de goleiro. Paulo Victor se machucou e César entrou de forma precoce. A zaga nunca consegue se entrosar. Hoje o jovem Frauches nem sempre esquenta o banco. Poderia ser utilizado. Os laterais precisam de uma “sombra” para jogarem com mais determinação. Armero e Pico não são craques, mas deveriam ser testados mais vezes na esquerda para não queimar a boa revelação Jorge. Na direita, infelizmente não temos opções. Pará e Ayrton são limitados. Os volantes escalados não são os melhores do elenco e estão longe de um entrosamento. Jonas, Cáceres(se ficar) e Luiz Antônio são disparados melhores que Canteros e Márcio Araújo. O ataque com Emerson Sheik e Guerrero tem tudo para dar certo, mas desde que Ederson esteja livre para criar e ao lado de um meia que jogue agudo. Everton pode ser esse jogador, mas está ruim tecnicamente. Alan Patrick ou até mesmo mais um atacante como Marcelo Cirino ou Paulinho poderiam ser testados quando voltarem.

Planejamento: Não é uma exclusividade do time carioca, mas falta uma programação para alcançar os objetivos. Traçar, por exemplo, a quantidade de pontos necessários para cada quatro rodadas. Pensar em dois times diferentes para cada situação. Jogos fora e dentro de casa. Ser um time mais defensivo ou mais ofensivo, de acordo com as circunstâncias. Saber fazer a troca “cirúrgica” no decorrer das partidas. Entender o que se pode tirar de cada jogador. Essa missão provavelmente será de Oswaldo de Oliveira ou até mesmo um “cara” de dentro que poderá dividir as opiniões e as melhores saídas daqui para frente. Jayme, Andrade, apenas o tempo irá dizer.

Assim, acredito que com o ajuste desses pequenos fatores e tantos outros que sabemos que existe, o Flamengo poderá voltar a ser forte e respeitado, menos apático e nervoso e mais vibrante trazendo de volta o apoio de seu torcedor.

Até a próxima!



Sou formado em Publ & Prop, jornalismo e rádio. Trabalhei em grandes empresas do ramo de serviços e desde 2003 atuo na área esportiva. Fiz parte da equipe da rádio Record e rádio USP, onde criei, produzi e apresentei 2 programas esportivos. Coordenei o principal programa jornalístico da rádio Estadão ESPN. Atualmente atuo na área comercial.