Opinião: Prefiro quem respeita as escolhas e gostos das pessoas

Montagem César Greco/Gilvan de Souza

Está provocando bastante polêmica a coluna da jornalista Mariliz Pereira Jorge, publicada na Folha de S.Paulo do último sábado (22). No texto, ela critica as pessoas (não apenas homens) que vestem camisas e usam objetos relacionados a clubes de futebol, chamando de cafona esse costume tão tradicional no Brasil. Mais além disso, diz que fala em nome da maioria das mulheres.

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Não há dados estatísticos que comprovem tal afirmação, mas não vou questioná-la, por enquanto. Eu não gosto de pessoas que escolhem torcer para o Real Madrid, PSG, Barcelona, ou Chelsea, mas nem por isso eu deixaria de me relacionar com uma mulher que fizesse essa escolha. A jornalista se diz orgulhosa por ter um marido que não é fanático por futebol. Que sorte a dela não ter que viver um relacionamento que seria uma “tortura” para quem odeia a paixão por esse esporte.

Eu não gosto de várias coisas também, mas nem por isso faria um ataque tão intenso como o feito pela colunista da Folha. Portanto, se você é fanática por esportes americanos, ou pelo ~seu Barça~, fique tranquila, eu jamais irei além de fazer as críticas naturais de quem não se conforma com o fato de que alguém não torça por um clube de seu país. Chamar de cafona, ou algo parecido? Jamais!

Mariliz chama o ato de vestir a camisa do seu clube de coração de “mico de andar com uma propaganda ambulante”. Talvez a minha mente seja limitada, pois eu não consigo ver as camisas da Lacoste de outro jeito que não justamente esse. E as roupas da linha da Coca-Cola? E várias outras estampas que não têm nada a ver com futebol, mas nos transformam diariamente em um outdoor que anda?

Até a foto no espelho para a rede social faz questão de estampar na nossa cara a marca do celular que utilizamos. Além disso, se é para se sentir mal fazendo propaganda, eu me sentiria muito pior postando uma foto de copo do Starbucks do que vestindo a marca da Crefisa, patrocinadora do meu time.

Fazemos propaganda inconsciente o tempo todo, inclusive quando comentamos nossas séries e realities preferidos nas redes sociais. Ou quem nunca passou a assistir a um deles porque viu os amigos falando feito malucos no Twitter e no Facebook?

Não, não é uma “heresia” não se interessar por futebol no Brasil. Atira-se no alvo errado quando se diz uma coisa dessas. Que tal nos preocuparmos com a reação sofrida pelas pessoas que não se encaixam nos padrões da “tradicional família brasileira”? Com o que passam as mulheres que escolhem o parto normal, ou com quem pensa em abortar? Será que o “sofrimento” de quem não curte a bola rolando em um gramado é comparável a esses? E olha que não sou, nem de longe, a pessoa mais adequada para mexer nesses temas. Perguntemos a quem passa por essas situações.

Enquanto isso, continuaremos, milhões de homens e mulheres, a ver os videotapes dos jogos que não são dos nossos times, sim. O futebol é uma paixão tão impossível de descrever, quanto de ensinar a quem não compartilha dela. Então é até bobagem insistir. O fato é: prefiro quem respeita os gostos e as escolhas das outras pessoas.

Foto: Montagem sobre imagens de César Greco/Gilvan de Souza



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.