Opinião: se o conselheiro do Palmeiras não se reinventar, a política do clube nunca vai melhorar

O texto abaixo deve gerar algum incômodo em alguns conselheiros palmeirenses. Eu tenho amigos por lá e, graças a Deus, os que eu conheço profundamente são pessoas competentes e que lutam pelo bem do clube. Mas, infelizmente, isso não é comum.

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O cargo de conselheiro gera um certo glamour dentro das dependências do Palestra Itália. Para se eleger, o sócio precisa entrar em uma chapa (e muitas vezes não concorda com a ideologia dos demais) e registrar sua candidatura. Com o número na mão, é a hora de fazer campanha. Camisetas, adesivos, faixas e até cartas são confeccionadas. Onde eles conseguem o endereço de milhares de sócios para envio, já que os dados são sigilosos? Bom, isso é outra história.

Uma semana antes do dia das eleições, o clube vira uma panela de pressão. Não é possível andar em paz que você sempre é abordado por alguém. “Já tem candidato?”, perguntam. “Vamos tomar uma cerveja e eu te apresento minhas propostas”.

Nessa hora, diversos aproveitadores aparecem. Uma hora está na mesa de um, outra hora na mesa de outro e, provavelmente, deve votar em uma terceira pessoa. O rastro das informações aparece, e as discussões e inimizades começam a ser frequentes.

No dia do pleito, o clube fica lotado de candidatos e eleitores. Colocam a melhor roupa e estampam seus adesivos pelo corpo. Parece, realmente, um curso de teatro para políticos. Uma renca de puxa-sacos e familiares fazendo campanha, sujando todo o chão e desrespeitando nosso solo sagrado.

Assim que termina, pouco depois o resultado é divulgado. Muitos vibram pela oportunidade e muitos choram por não ter alcançado o número mínimo de votos. É a vida. Às vezes perde e às vezes ganha.

A cerimônia de posse serve para todos se conhecerem. Mas as divergências políticas não permitem que todos trabalhem em conjunto pelo bem do Palmeiras. Cada um corre pelo seu lado e o Conselho Deliberativo vira, consequentemente, diversas unidades de cabeças pensantes por si só.

Quando Paulo Nobre instituiu a taxa de reinstalação, nenhum conselheiro foi consultado. Todos foram avisados, mas não opinaram ou deram sugestões. Ou seus “conselhos”. Ou seja, a importância do cargo diminuiu drasticamente. Até na festa de aniversário do clube os nobres conselheiros precisam pagar para entrar, fato que não acontecia em gestões anteriores.

Hoje surgiu a informação de que alguns membros estão agindo como cambistas. Tal fato não é novo. É bastante comum ver conselheiros agindo e vendendo convites e ingressos. Em partidas de teste do Allianz Parque, um deles estava na rua distribuindo diversos bilhetes para amigos e pessoas desconhecidas. A ideia? Ter um coro político para se reeleger novamente. E quem vende ingresso e coloca margem em cima deveria ser automaticamente expulso do grupo e também ter sua carteira de sócio cassada. Sem ideia, sem argumento. É expulsão e acabou.

Com tempo e influência, o conselheiro consegue o que quer. Pode ter acesso e ganhar camisas, entrar com quantas pessoas quiser dentro do clube (sem pagar os R$ 25 instituídos por Paulo Nobre para visitantes), consegue assinar fichas e dar descontos para novos sócios, e assim por diante.

A influência pode ser tão grande que até em negociação de jogadores eles podem se meter. Na volta de Valdívia, por exemplo, teve conselheiro que colocou quase R$ 5 milhões. E hoje quer o dinheiro de volta. E corrigido. Fora aqueles que desejam entrar na Academia de Futebol e se meter na vida de jogadores e diretores que cuidam de toda parte de logística e mercado. Claro, vale a selfie para ser postada no Facebook e a o check-in lá.

Poucos, mas poucos mesmo, tem um plano de “Governo” para apresentar. Quase nenhum tem objetivos concretos para ajudar o clube e o associado. São prestativos quando entram, mas quando estão lá, ficam praticamente inacessíveis e dão centenas e centenas de desculpas.

Eu pretendo me tornar conselheiro apesar de todas as críticas lidas acima. Mas eu quero inovar e tentar ser diferente. Vou montar um blog contando toda a trajetória, desde os projetos que quero implantar até informações especiais para associados e palmeirenses de todo o Brasil. Será uma espécie de Portal da Transparência, onde as informações estarão ali para serem apreciadas. Verdades, claro. Nada de plantação enganosa de notícias para aparecer.

Se o Conselho não se reinventar, a política palmeirense vai cada vez mais para o buraco.



Thiago Gomes é Administrador de Empresas. Trabalha com estratégias digitais e consultoria de e-commerce. É palmeirense e um apreciador do futebol, tanto nacional quanto internacional. Escreve para site esportivo desde 1996.