Opinião: A falta de critério da FIA em Monza e o fim do campeonato

Reproducao Twitter F1

O GP da Itália no circuito de Monza pode ter selado de vez a vitória de Lewis Hamilton nesta temporada. O inglês sobrou em pista e não sofreu qualquer ameaça à sua dominância, enquanto Nico Rosberg sequer pontuou.

Apenas algumas coisas fizeram deste, um GP um pouco mais inusitado que o habitual e uma delas foi a quebra do motor de Rosberg que fez com que Massa conseguisse outro pódio. O brasileiro agora é o quarto colocado no mundial de pilotos com 97 pontos (seis à frente de Bottas). Rosberg, desta forma, não pontuou e seu companheiro que já tinha 28 pontos de vantagem, ampliou a diferença para 53. Agora com 252 pontos, Lewis já tem o campeonato na mão e, acredito que, só diversos problemas com o carro do inglês para dar a Rosberg alguma chance – e isso não deve acontecer. Entretanto, é importante ressaltar que Nico teve que usar a versão antiga (e cerca de 15 cavalos menos potente) do motor na corrida após problemas no terceiro treino livre, enquanto Lewis teve a vantagem de usar a novidade.

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Um outro acontecimento interessante também se deu ao final da corrida: a equipe pediu a Lewis que acelerasse nas últimas voltas sem revelar o motivo (que foi exposto só posteriormente). Estavam sob investigação pelo fato de o pneu traseiro esquerdo estar com pressão abaixo das especificações da Pirelli. Como poderia haver uma punição de 25 segundos acrescidos ao tempo final da prova, foi pedido a Lewis que acelerasse e ele o fez. Mesmo se tivesse sido punido com tal acréscimo, ainda não teria perdido a vitória, pois a diferença para Vettel, o segundo colocado, acabou ficando em 25s042.

A FIA lançou uma nota posterior justificando a não-punição: os pneus estariam, inicialmente, com a pressão especificada, mas a medição foi feita com eles relativamente abaixo da temperatura máxima (os cobertores elétricos estavam desligados), logo, teriam perdido pressão até o momento da medição. Com ou sem a intenção de tirar vantagem por parte da Mercedes, faltou critério à FIA, que deve deixar claro se pune ou não nesses casos. Se as regras foram feitas para ser seguidas, então as equipes têm que seguí-las. Se as corridas têm que ser iniciadas com uma determinada pressão nos pneus, então é de responsabilidade das equipes que eles estejam dentro das especificações até que se inicie o GP. Se a desclassificação era demais e a punição de 25 segundos não iria mudar nada no resultado, pelo menos a FIA poderia informar, de uma vez por todas, quais as regras a serem seguidas, se esta recomendação virou regra e qual a punição em caso de descumprimento, caso contrário, muitas equipes poderão se utilizar da brecha.

Outras coisas da corrida que valem a pena ser citadas foram as lindas ultrapassagens do menino Max Verstappen e a bela corrida de recuperação de Kimi Raikkonen que chegou em quinto, após ter ficado em último lugar devido a um erro na largada. E, por último, mas não menos importante: as lambanças da Williams persistem e assustam – paradas de 3,7s e 4,0s são uma vergonha no atual nível da Fórmula 1.

Enquanto aguardamos o GP de Cingapura que ocorrerá em 20 de setembro, fiquemos de olho nas fofocas da McLaren. A imprensa inglesa afirma que o próprio Ron Dennis teria redigido uma carta pedindo a demissão de Yasuhisa Arai, o diretor-esportivo da Honda. A situação não está nada boa em Woking…

Imagem: Reprodução/Twitter Oficial da F1

 



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