Opinião: a bondade da nossa diretoria e as vertentes alvinegras no Allianz Parque

A violência no futebol é, de fato, algo condenável. Cenas de selvageria envolvendo torcedores realmente revoltam e comovem. Mas existe uma grande distância entre nutrir rivalidade, respeitar o seu símbolo e incitar brigas nos estádios.

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No clássico contra o Corinthians, a torcida Mancha Alvi Verde preparou um mosaico formando a palavra “freguês”. Sem entrar no mérito da questão, mas a pequena palavra gera o real entendimento dela: o Corinthians é freguês de carteirinha do Palmeiras. Qual o problema nisso? É a mesma coisa que cantar “passou, passou, passou um avião”. Mas, ávida por coibir ações palmeirenses dentro do nosso próprio local, a diretoria concordou com a opinião do 2º Batalhão de Choque e pediu a retirada da festa.

Os corintianos, na casa deles (ou da Prefeitura, Governo Estadual ou Federal, como preferirem), podem tudo. Entra bandeira de mastro (proibida por uma Lei Estadual), entra mosaico, tem provocação no telão para com os adversários. Mas lá isso não é incitar a violência. Tem outro nome: futebol moderno. Somos chatos, né? O futebol evoluiu para uma chatice só. Tudo é violência, problemas. Mas só lá no extremo da Zona Leste certas coisas são permitidas, liberadas e politicamente corretas e toleráveis.

Em tempo: a diretoria do Corinthians presta e fornece todos os subsídios para que a festa seja feita. Já nosso querido presidente Paulo Nobre prefere manter os palmeirenses acríticos, quietos e mandando beijo para a câmera que aparece no telão. Seguranças impedem torcedores de xingarem o técnico adversário. Como falei, no Allianz não pode. Lá pode.

Nobre se envolveu em uma confusão perto do fim do primeiro tempo. Corintianos estavam lotados no camarote da Allianz Seguros e comemoraram bastante o gol alvinegro. Comemoraram tanto que proferiram palavras de baixo calão para palmeirenses na arquibancada. Que ousadia, hein? Mas, de novo: isso não é incitar a violência. O que provoca briga, bombas e discussões acaloradas é um simples mosaico apontando a freguesia e confirmando uma estatística que vem ao longo da história.

Em vez de tomar postura de dono, em vez de colocar a superioridade palmeirense e fazer valer o mando, o nosso presidente e seus diretores resolveram deixar o camarote. Claro que ouve aquela cena de querer bater, entrar à força no camarote e tal. Mas todos eles sabiam que somente o terreno é do Palmeiras, não o Allianz Parque. Portanto a melhor atitude foi abandonar o seu lugar de direito e ir assistir em uma pequena TV de 20 polegadas no vestiário, talvez. Ou, quem sabe, em algum bar próximo do nosso local sagrado de todos os tempos. Deixaram os corintianos tomarem posse de um local que, de fato e de direito, é verde e é nosso.

Mas é importante manter a imagem política, não é? Trocar frases de incentivo, permitir estreia de um novo uniforme em nossa casa em alusão à um título que era para ser nosso (Palmeiras Campeão da Libertadores de 1999), ficar namorando com o rival via Twitter e permitir entrar tudo quanto é coisa do alvinegro em nossa residência. Enfim, qualquer desvio de conduta por parte do Palmeiras é “incitar a violência”.

O palmeirense não aguenta mais certo tipo de coisa. Se já não bastasse a expulsão de nossos pequenos alviverdes de nossa casa com a cobrança irregular de ingressos, ainda temos que aguentar rivais pintando e bordando dentro dos nossos domínios. A preocupação está voltada para as grandes “notas oficiais” onde a defesa dos árbitros virou rotina, a imagem totalmente preservada dentro da CBF e a taça de campeão quase dentro do Parque São Jorge com roubos e desvios consecutivos de pontos. Para isso, os aplausos acontecem.

Vamos vivendo. Vamos aprendendo.

 



Thiago Gomes é Administrador de Empresas. Trabalha com estratégias digitais e consultoria de e-commerce. É palmeirense e um apreciador do futebol, tanto nacional quanto internacional. Escreve para site esportivo desde 1996.