Precisamos falar sobre D’Alessandro

Não há o que aconteça no futebol gaúcho que faça a pauta deixar de ser por muito tempo Andrés D’Alessandro. Sempre “existe uma proposta”. Sempre “existe uma insatisfação”.

Sempre há polêmica, inclusive quando não deveria existir.

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Polêmica em falar ou calar. Polêmica em jogar ou não jogar. Polêmica sobre seus vencimentos, sobre sua condição, sobre seu temperamento. A verdade é que falar sobre D’Alessandro é quase sempre assunto por uma série de fatores. Há quem diga que ele estava machucado mas também quem defenda que “não quis jogar o último GreNal”. Há quem entenda que ele está feliz pela chegada de seu filho mas também quem queira se debruçar sobre a teoria de que “quer sair logo de Porto Alegre”.

Convenhamos. Pra quem já tem dinheiro, dinheiro não é tudo. Não é somente uma proposta nessa altura da vida que vai tirar D’Alessandro do Rio Grande do Sul. Acostumado com a rotina, estabelecido por aqui, ídolo de uma geração e respeitado por muitos rivais. Não são meio punhado de dólares que vão fazer um jogador já milionário abandonar a terra que escolheu pra ser sua.

Talvez um novo desafio motive Andrés a sair do Inter. Talvez novos horizontes. Quem sabe a ideia de conhecer novas culturas. Quem sabe a falta de paciência com alguns setores da mídia que insistem em acordar logo cedo pra polemizar acerca do seu nome. Talvez a enxurrada de impropérios que se misturam a poucas verdades e que se repetem como se fossem salmos de meditação da preguiça.

Não me lembro de ouvir críticas quando ele colocou aquela bola no ângulo de Victor. Ou quando recentemente lançou duas bolas que deixaram Valdívia de cara pro goleiro adversário. Há quem critique o jogador porque é pontual sobre suas falhas e há quem viva pra simplesmente encher o saco.

D’Alessandro já participou de quase duas dezenas de jornadas onde o Inter esteve no pódio ou então muito próximo do primeiro lugar. Eu pergunto: Quem fez isso no futebol brasileiro na última década? Quem levou um clube pela mão em oito temporadas a uma dezena de faixas e outras finais e semifinais que tanto embalaram os sonhos do colorado?

Sempre há de haver uma proposta por D’Alessandro. Ele vai ficar insatisfeito. Talvez esmurre o ar, talvez se sinta prejudicado. Talvez opine sobre não gostar de um técnico ou comissão. Talvez se dedique um pouco menos por estafa. Talvez exagere em algumas palavras na pressa de defender seus interesses.

Um dia ele vai parar. Ele vai embora, talvez. Pode ser que encerre a carreira aqui ou em outro lugar. Mas aquele coração ali é vermelho. Ali dentro estouram batidas de alguém que corre por colorados.

O estádio mudou. O clube mudou. A sala de troféus mudou. O número de sócios mudou. A história do clube mudou. Muitos de nós mudamos. Mas há sete anos é o mesmo cara que defende os interesses do torcedor e bate boca quando alguém quer passar o pé por cima da bola na hora em que o Inter merece respeito.

D’Ale sempre é pauta pra muita gente boa e competente, que analisam erros e criticam falhas acertadamente, mas também é passatempo pra muitos desocupados que precisam convencer que estão trabalhando. Talvez cansado, quem sabe um pouco menos preciso. Mas jamais menos respeitado e é isso o que muitos ainda precisam entender.

Respeite quem fez boa parte da nossa história ser assim.

História não se apaga, cara.



Futebol e corneta sem esculhambar paixões.