Em 2005, “Copa Edílson” fez Inter dormir líder e acordar em segundo

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Há dez anos, alheio ao grave escândalo de arbitragem alcunhado de “Máfia do Apito”, o Brasileirão de 2005 apresentava uma das edições mais equilibradas da história com a empolgante disputa pela ponta de cima da tabela entre Corinthians e Internacional. De um lado, todo o poderio financeiro da MSI e de jogadores como Tevez, Nilmar e Carlos Alberto. Do outro, a bravura e a competência do trabalho de Muricy Ramalho no comando de um qualificado grupo, que tinha em Fernandão sua maior liderança.

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No sábado, dia 1° de outubro, o Inter dormiu líder. No domingo, acordou em segundo. Zveiter, pressionado, convocou nova entrevista coletiva e anunciou a anulação dos 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho, que insistia em afirmar que não havia interferido em nenhuma destas partidas, mesmo confirmando sua participação no esquema de manipulação de resultados do empresário Giba.

“Recebemos a notícia da anulação com um desânimo total. Estávamos na concentração para o jogo em casa contra o Fluminense e ficamos revoltados, até porque fazia tempo que o Inter não ganhava nada e éramos cobrados pelos nossos torcedores”, conta o ex-zagueiro colorado Ediglê, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Os gaúchos, que lideravam com 51, perderam os três pontos da partida vencida contra o Coritiba, apitada por Edílson, e que teria que ser jogada outra vez. Com isso, o time voltava aos 48. Como o Corinthians havia perdido os dois realizados sob comando do árbitro comprado, para São Paulo e Santos, ele mantinha os seus 50 pontos e ainda teria a possibilidade de sair em vantagem com a remarcação dessas partidas, o que de fato veio a se concretizar, com um empate e uma vitória nos novos duelos. Tamanha confusão chegou a ser apelidada por alguns de “Copa Edílson”.

Como se já não bastasse toda a polêmica extracampo, Corinthians e Inter ainda protagonizaram um duelo marcado por um grave erro de arbitragem. Dessa vez, exclusivamente dentro das quatro linhas. No dia 20 de novembro, em uma das últimas rodadas do campeonato, paulistas e gaúchos se enfrentavam no Pacaembu separados apenas por três pontos, que foram mantidos a favor do Timão após o empate em 1×1 graças ao erro de Márcio Rezende de Freitas em não assinalar pênalti claríssimo do goleiro Fábio Costa no colorado Tinga.

Na última rodada, o Inter resolveu comemorar o título no gramado do Couto Pereira, no Paraná, mesmo com a derrota por 1×0 para o Coritiba e com a conquista do Corinthians, que, pela nova tabela, havia sido o campeão. A pedido da diretoria, jogadores festejaram com a torcida e comemoraram um título que não veio. Mas era um presságio para o ano seguinte. E, em 2006, todos sabem o que aconteceu.

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Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.