Jogadoras de futsal provam que “futebol não é só para homem”

O futebol feminino em geral é um esporte que está em crescimento no nosso país, é o segundo na preferência das meninas (21,8% segundo dados da pesquisa do Ministério do Esporte). No entanto, em comparação com o futebol feminino em outros países e com o próprio futebol masculino, o esporte no Brasil ainda carece de investimento e tem como maior problema o preconceito.

“Futebol é para homem, você deveria lavar louça”. Marcela Felisberto, jogadora de futsal do Primeiro de Maio F.C, disse que já ouviu isso de torcidas adversárias nos campos e quadras por onde jogou.

Na época do Estado Novo (Ditadura imposta por Getúlio Vargas) foi criada uma lei para proibir o esporte, alegando o medo da masculinização do corpo feminino, e este preconceito criado ainda se reflete na população nos dias de hoje. “No começo eu enfrentei preconceito do meu pai, mas depois quando ele viu que era isso que eu queria e que tinha retorno (dinheiro e faculdade) ele decidiu apoiar”, afirmou Laís Oliveira, jogadora de futsal do Primeiro de Maio F.C.

O pequeno crescimento que o esporte teve no país muito se deve as transmissões de jogos por parte da TV aberta, que foram aumentando de acordo com os bons resultados das meninas nas Olímpiadas e Copas do Mundo. Isso fez com que o esporte fosse mais valorizado e consequentemente mais praticado.

O Primeiro de Maio F.C apoia, juntamente com a Prefeitura de Santo André, o futsal feminino. Segundo o treinador da equipe Valmir Patingas, o Primeiro de Maio é o único clube da região do ABC que apoia o futsal feminino. A equipe foi vice-campeã paulista no ano passado e nesse ano já esta na semi-final. Os bons resultados fizeram com que o time feminino alcançasse maior prestígio do que o time masculino.

As jogadoras do Primeiro de Maio F.C são meninas que conseguiram algum benefício jogando futsal, algo muito raro na profissão. Mas elas sonham com mais. “Meu sonho dentro do esporte é que o futsal feminino seja mais valorizado, desejo ganhar títulos e muito dinheiro”, contou Jaqueline Daiane da Silva, jogadora de futsal do Primeiro de Maio F.C.