“Não tenho vontade nenhuma de encontrar”, diz Luis Alvaro sobre Neymar

Ricardo Saibun/Santos FC

Luis Alvaro Ribeiro de Oliveira foi o presidente do Santos mais vitorioso após a era Pelé, mas hoje não pode colher os louros de ter sido tricampeão paulista, campeão da Copa Libertadores, da Copa do Brasil e da Recopa Sul-Americana.

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O ex-presidente santista foi aconselhado pelos médicos a evitar acompanhar o time que torce desde criança justamente por conta do coração. Depois de superar os problemas cardíacos que quase o levaram à morte, Laor assiste aos jogos do Santos do seu apartamento, em São Paulo.

“Desmarco qualquer compromisso, até mesmo com a namorada, mas não perco o jogo do Santos”, disse o ex-dirigente durante palestra na escola The 360.

Após contar a sua trajetória como presidente do Santos entre dezembro de 2009 e maio de 2014, quando renunciou ao cargo por conta dos problema de saúde, Laor conversou com o Torcedores.com e só tirou o sorriso do rosto ao falar sobre um assunto: Neymar.

A polêmica negociação com o Barcelona e os acordos do pai do jogador com o clube espanhol chatearam o ex-dirigente, que se sentiu traído. Após fazer diversas acusações a Neymar pai, ele teve que pagar R$ 20 mil em indenização.

Confira a entrevista completa:

T: De novo, o Dorival faz um bom trabalho no Santos. Ele tem a cara do clube?

Laor: Eu quando trouxe o Dorival, uma das razões que me fizeram me esforçar e contratar ele é que ele era um técnico vencedor e que dava chance para os jovens. Era tudo que eu queria naquele momento. Ele foi um técnico perfeito no período que ficou lá. Foi um desentendimento influenciado pelo assistente técnico dele com o Neymar que gerou a saída dele.

T: Você vê alguma semelhança entre o Santos atual e aquele de 2010?

Laor: Vejo o Santos com o futebol mais bonito do Brasil hoje. De novo um futebol alegre, veloz, para cima, com uma defesa muito bem postada. Lembra muito o Santos de 2010. O Modesto deve ter seguido a minha receita, pois ganhou o Estadual e pode ganhar a Copa do Brasil.

T: O Santos tem chances de ser campeão da Copa do Brasil?

Laor: Acho que temos chances, mas vamos enfrentar um São Paulo complicado, com a mudança de técnico, mas que tem um grande time e grandes jogadores. No Brasileirão, se a gente se manter no G-4 está ótimo.

T: Sente falta de ir ao estádio?

Laor: Às vezes sinto, mas o alívio é maior do que a falta.

T: Acha que seria bem recebido pela torcida?

Laor: Não sei, por isso que não piso. Não tenho medo, não tive medo da torcida do Grêmio (Luis Alvaro contou que passou no meio da torcida do Grêmio em 2010 após o jogo pela Copa do Brasil e foi aplaudido). Acho que pela Torcida Jovem (e outras organizadas) seria carregado nos braços e pelo o torcedor comum também.

Meu termômetro é andar na rua, vou ao Einstein, os torcedores do Santos me param, manobrista, tiram foto. E até torcedores dos outros times vêm falar comigo e dizem que é uma pena que não fui presidente de São Paulo, Corinthians… Nunca fui ofendido.

T: Como você acha que seria um encontro com Neymar?

Laor: Não tenho vontade nenhuma de encontrar com ele. Nem com o pai. Aquilo é pasta de dente que saiu no tubo.

T: Ficou alguma coisa mal resolvida entre vocês?

Laor: Não. Ele segue o caminho dele e eu o meu.

T: Se arrepende de algo?

Laor: Talvez de ter confiado na palavra dos outros como eu confiei.

T: No pai do Neymar?

Laor: Não quero citar nome.

T: É viável o projeto de um novo estádio em Santos?

Laor: Esse projeto do Portuários eu tratei dele há cinco anos, não é viável. O terreno pertence à União, não pertence ao Portuários e eles querem uma participação absurda no estádio para ceder o terreno.

T: Por que a Vila não lota?

Laor: O santista de Santos é muito acomodado. Prefere ir para a praia, tomar um choppinho. Às vezes acha que o ingresso está caro e a crise está forte para todos.

T: Por que o Santos ainda não tem patrocinador máster?

Laor: Acho que é uma falta de experiência e falta gancho para procurar as empresas. Eu ia falar com o presidente do BMG. Quem hoje em Santos pode fazer isso?

T: Você aconselharia um amigo a ser presidente de clube?

Laor: Não. Você vê o Belluzzo (Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente do Palmeiras), meu colega de classe, ele infartou também. Eu tive que mudar para Santos, minha empresa caiu uma barbaridade. Os três anos foram terríveis.

Crédito da foto: Ricardo Saibun/Santos FC



Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.