Opinião: Aidar jogou no lixo a “modernidade” do São Paulo

Crédito da foto: Divulgação/São Paulo FC

O São Paulo parecia ter se consolidado como o clube mais “moderno” do Brasil. Não foram poucos os exemplos. Em 1987, pelas mãos justamente do presidente Carlos Miguel Aidar, o clube liderou o movimento que culminou com a criação do Clube dos 13, o primeiro esforço de profissionalização da gestão do Campeonato Brasileiro. Quase 30 anos depois, o próprio Aidar dá um show de incompetência, arrastando a instituição São Paulo Futebol Clube com ele.

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Nem parece o mesmo clube que teve Aidar como primeiro presidente do Clube dos 13. A instituição, extinta em 2011 pelas mãos do corintiano Andrés Sánchez, pode ter ficado com uma imagem negativa com o passar do tempo. Mas, antes dela, o Brasileirão não tinha limite de participantes, vivia ao sabor dos políticos amadores da CBF, e o calendário era vergonhoso. Sim, muito pior do que este que criticamos hoje em dia. E o São Paulo teve participação fundamental nessa melhora.

No começo dos anos 1990, o São Paulo encantou o mundo com a conquista dos títulos da Copa Libertadores e do Mundial Interclubes de 1992 e 1993, tendo vencido ainda o Brasileirão de 1991 e a Copa Conmebol de 1994. Soube parar com as conquistas e focar na reforma de seu maior patrimônio material, o Morumbi, que já ficava velho e ultrapassado.

Após essa fase, voltou a dar um baile de organização nos amadores dirigentes dos rivais e conquistou a Libertadores, Paulista e Mundial de 2005. Na sequência, foi tricampeão brasileiro, o primeiro time a conquistar a competição três vezes seguidas na Era Brasileirão, que começou em 1971.

Depois disso, parece que tudo começou a ir por água abaixo. É inacreditável como o time que mais se orgulhava da gestão, que fez torcedores baterem em seus peitos para dizer o quanto o São Paulo é avançado, superior e moderno, hoje seja o clube onde um dirigente dá um soco no presidente. Pelo menos é o que relataram repórteres da ESPN Brasil e da Veja na última segunda-feira (5).

Ataíde Gil Guerreiro deixa o clube após a suposta agressão contra Aidar. No time, o técnico Juan Carlos Osorio está a poucas horas de anunciar sua saída depois de apenas cinco meses no comando do Tricolor, seduzido pela ideia de comandar a seleção do México na Copa do Mundo de 2018. No campo, um dos jogadores que mais rendem pertence e tem metade dos salários pagos pelo maior rival, o Corinthians. Isso é ser moderno?

O São Paulo sempre foi o melhor time do Brasil no gerenciamento de crises. Comparado aos rivais, é o clube com menos problemas internos na última década, pelo menos os que ficamos sabendo. Hoje, porém, é o time da volta dos velhos tempos. Ideias amadoras, crises expostas na mídia, porrada entre membros da direção.

O resultado em campo é bem claro: apenas um título na década, que já está quase na metade. A Copa Sul-Americana de 2012 é muito pouco para o clube que fez o futebol mudar nos anos 1980, 1990 e 2000. Ainda há tempo para salvar os anos 2010. Mas nesse caminho não cabe a figura de Carlos Miguel Aidar.

Foto: Divulgação/São Paulo FC



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.