Opinião: Oito momentos explicam como Aidar destruiu a imagem do São Paulo

CarlosMiguelAidarO time diferenciado, que nunca tinha problemas internos vazados na imprensa mudou, e para pior. O São Paulo Futebol Clube sempre teve suas divergências entre os grupos internos, mas sempre fechavam questão em torno do futebol que é o carro chefe do clube.

No entanto, desde a saída de Juvenal Juvêncio do cargo de presidente e a eleição de Carlos Miguel Aidar, o clube do Morumbi parece ter esquecido a sua imagem de inovador, pioneiro no marketing, visionário para a imagem de um clube que atravessa negociações dos outros, que arranja brigas antipáticas com presidentes de outros clubes, com escândalos expostos na mídia e agora com brigas públicas.

Aidar, que na primeira gestão no clube foi inovador, a ponto de liderar a criação do Clube dos 13, e apostar num elenco bastante jovem, que ficou conhecido como “Menudos do Morumbi”, mostra ser um dirigente no mínimo vacilante e até mesmo polêmico agora. Vamos a lista de confusões:

Juvenal Juvêncio – Assim que assumiu a cadeira de presidente, Aidar começou a se voltar contra seu antecessor. Eles brigavam por questões internas do clube, chegando a ponto de demitir JJ do cargo de diretor das categorias de base, com o troco vindo com acusações à filha de Aidar. Se nos anos 80 os dois estiveram juntos, sendo que JJ era vice de Aidar, agora o ambiente entre eles é o mais pesado possível.

Paulo Nobre – O desentendimento entre os mandatários de São Paulo e Palmeiras começou quando o clube do Morumbi tentou – e após um longo tempo de espera, levou Alan Kardec para o Tricolor. Além disso, por conta das queixas de Nobre, Aidar disse que o Palmeiras estava se ‘apequenando’. O troco veio com a demora palmeirense em liberar Wesley, tirando o volante da primeira fase da Libertadores deste ano.

Kaká – O meia não teve problemas pessoais com o dirigente, mas ele foi personagem de uma rusga com o Corinthians. Quando da chegada do camisa 10 ao clube, ele falou que Kaká era um jogador diferenciado por ter ‘todos os dentes na boca’.

Penalty – A antiga empresa fornecedora de material esportivo não estava agradando ao clube e no meio do ano passado já houve busca por um novo parceiro. O vazamento de uma camisa em homenagem a Rogério Ceni, que se aposentaria no final do ano passado acabou sendo determinante para o fim da união entre as partes.

Under Armour – A companhia dos Estados Unidos chegou ao clube, cercada de polêmica, pois a namorada de Aidar teria fechado um acordo com a alemã Puma. Além disso, um pagamento de uma comissão mal explicada entre o clube e uma empresa de Hong Kong gerou reclamações no Conselho.

Abílio Diniz – O empresário levou ao clube um CEO (gestor). Alexandre Bourgeois, mas a passagem dele foi curta, por desentendimentos entre Diniz e Aidar.

Iago Maidana – O zagueiro defendia o Criciúma e foi negociado com a Itaquerão Sports por R$ 800 mil. O jogador foi colocado por esse grupo investidor no Monte Cristo (GO) e dois dias depois ele foi contratado pelo São Paulo, pelo valor de R$ 2.400.000,00, sendo que R$ 1 milhão no ato, outro milhão em um ano e mais R$ 400 mil caso ele faça 15 jogos. O Conselho do clube exige explicações de como um jogador que estava no clube catarinense e valia R$ 800 mil e foi adquirido pelo triplo.

Juan Carlos Osorio – O colombiano chegou em maio como aposta do clube para a temporada 2015 e perdeu nada menos que oito jogadores (a maioria do sistema defensivo) e em muitos jogos teve que improvisar. A relação entre comandante e clube estremeceu e o comandante deve anunciar sua saída do clube nas próximas horas rumo à seleção mexicana.

E por fim, tivemos a briga entre Ataíde Gil Guerreiro e Aidar, que resultou na demissão do vice de futebol.

Com tudo isso agregado, chega-se a conclusão que apesar de estar brigando pelo G4 no Brasileirão e pelo título da Copa do Brasil, o comportamento nos bastidores é digno de time que briga para fugir da zona de rebaixamento, pois é muita confusão em um clube que sempre vendeu bem a imagem de diferenciado e se comporta como Corinthians e Palmeiras no passado. Os dois sempre tiveram imagem de controvertidos dentro de seus muros, mas hoje em dia, as brigas internas se existem, ficam dentro dos muros das sedes dos clubes.

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net