Opinião: Revista Placar acerta em cheio ao incluir outros esportes

Desde que deixou a Editora Abril rumo à Editora Caras, a revista Placar tem promovido algumas mudanças importantes em seu conteúdo. O trabalho tem sido colocado à prova da opinião pública em seguidos editoriais escritos pelo diretor-superintendente da empresa, Edgardo Martolio, o que comprova que a publicação passa por uma transformação na qual é mais importante ouvir do que falar. Até agora, como assinante há muitos anos da revista, posso dizer que a Placar acertou.

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Primeiramente, acertou em cheio ao trazer de volta um dos melhores nomes do jornalismo esportivo para o cargo de editor-chefe. Celso Unzelte, com um passado marcante na revista nos tempos de Abril, retornou para comandar a tentativa de renascimento da Placar.

Não é uma tarefa fácil, já que vender conteúdo jornalístico no papel é um desafio cada vez maior nos tempos atuais, nos quais as pessoas são cada vez mais informadas pelos meios eletrônicos, como PC, tablets e smartphones. Mas é fato também que essa missão não cabia mais na Editora Abril, uma empresa que diminui ano após ano e deixou para trás vários títulos importantes de revistas, sua participação na antiga TVA, a MTV e até a sociedade com o Grupo Folha no portal UOL.

Era preciso uma renovação intensa, e a Placar está arriscando. Acho que a revista cumpre seu papel de informar com qualidade sobre o futebol brasileiro, marca maior de seus mais de 40 anos de história. E gosto da aposta em outras modalidades, do espaço aberto recentemente ao futebol feminino, e ao esporte paraolímpico, mais precisamente com a entrevista com o maior medalhista brasileiro, Daniel Dias, publicada na edição de outubro.

A Placar se transformou em um verdadeiro guia. É essa a vocação atual da revista. Nas edições mensais é possível ver tudo o que aconteceu nos últimos 30 dias e ainda há uma programação completa de eventos para os próximos 30. Estatísticas aos montes, para agradar ao leitor histórico, entrevistas relevantes. A volta do Guia do 2º Turno do Brasileirão confirma esse caminho.

Ainda não é possível dizer se o projeto dará certo. Muitos leitores mais antigos se sentem incomodados com a presença de outros esportes que não sejam o futebol. Mas eu sou um entusiasta da ideia. No jornalismo de hoje, a ideologia precisa dar mais espaço ao entendimento dos tempos em que vivemos.

O público que gosta da modalidade hoje não é o mesmo que era apaixonado por futebol há 20, 30 anos. Ele gosta mais da Champions League, curte acompanhar “de leve” as nossas conquistas do vôlei (que, embora ainda sofra certo preconceito, era considerado como esporte de ‘mulherzinha’ por muitos fãs de futebol há alguns anos), entre outros esportes.

A revista que busca falar com o brasileiro dos anos 2010 precisa ter Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco, e todos os outros oito grandes? Sim. Precisa dar espaço aos times pequenos e alternativos? É bom. Mas é fundamental saber que muita gente quer saber dos desafios do Barcelona na Liga espanhola, de como Guardiola vai montar o Bayern de Munique na Champions League, ou sobre os desafios de Mourinho no Chelsea. Da Marta no futebol feminino. Do Bernardinho e do Zé Roberto no vôlei. Do Djokovic no tênis. Do Hamilton na F1. Saibamos conviver com todos eles.

 



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.