Seleção feminina não ganhou do horário político na Copa. Por quê?

MONTREAL, QC - JUNE 09: Marta #10 of Brazil tries to move the ball past Shim Seojeon #4 of Korea Republic during the 2015 FIFA Women's World Cup Group E match at Olympic Stadium on June 9, 2015 in Montreal, Quebec, Canada. Brazil defeated Korea Republic 2-0. (Photo by Minas Panagiotakis/Getty Images)

O TSE abriu uma exceção no calendário do horário político e cancelou o programa do PMN (Partido da Mobilização Nacional) que seria exibido em rede nacional nesta quinta-feira (8), às 20h30 (horário de Brasília). Isso porque esse é exatamente o horário do jogo entre Chile e Brasil, estreia da seleção nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Bom senso? Sem dúvida. Mas por que isso não valeu para a seleção feminina também?

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Jogo da seleção cancela horário político desta quinta-feira

Em junho deste ano, foi realizada a Copa do Mundo Feminina da Fifa no Canadá. O Brasil estreou contra a Coreia do Sul no horário das 20h de uma terça-feira, dia 9. Justamente na data em que estava marcado o horário político do PSD (Partido Social Democrático), às 20h30. A TV Brasil, única emissora aberta que exibia o jogo, foi obrigada a parar a transmissão aos 33 minutos do primeiro tempo para entrar na rede nacional com os outros canais. Foram 10 minutos de jogo perdidos na TV gratuita.

É claro que a lambança, muito comum no rádio, mas pouco usual na TV, seria marcada com uma “cereja do bolo”. O primeiro gol do Brasil na Copa do Mundo, marcado por Formiga, saiu justamente no período em que a transmissão do jogo estava suspensa e a propaganda do PSD era exibida.

Fica a pergunta: por que isso aconteceu? As possibilidades são o privilégio que o futebol masculino tem no Brasil, um país que ainda enxerga a modalidade como “coisa de homem”, a falta de ação da emissora que transmitia a Copa feminina para um entendimento que evitasse esse choque, a força comercial da seleção masculina.

Outros fatores podem ser levados em conta: o jogo masculino é de interesse da Rede Globo, a maior emissora do país. A partida das mulheres era exibida apenas por um canal estatal de muito menor alcance, a TV Brasil. O partido afetado agora é o nanico PMN, enquanto em junho seria o PSD, criado e presidido pelo ministro da Cidades e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Uma legenda que detém bancada grande no Congresso Nacional.

Não se questiona a decisão do ministro Luiz Fux, que definiu o adiamento do programa do PMN para o dia 27 de outubro para preservar o jogo do Brasil. Ela foi correta. Mas foi tão correta que o mesmo argumento descrito no despacho serviria para cancelar o horário político quando a seleção feminina entrou em campo.

Segundo Fux, o jogo do Brasil contra o Chile representa um caso de excepcionalidade, “uma vez que a realização de torneios ou competições nacionais ou fora do Brasil, como ocorre no caso, constituem motivos relevantes para autorizar alterações dos horários previamente estabelecidos”. A Copa do Mundo Feminina foi um torneio realizado fora do Brasil. Era relevante. Resta saber por que não mereceu a mesma consideração.

Foto: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.