Crônica: A morte do surfe no Espírito Santo

Hoje eu acordei e me dei conta: você não está mais entre nós.

Meus olhos estão marejados pela dor que sinto.

Eu sabia que você estava esperando a morte. Pois, desde que essa “tragédia” aconteceu, sabíamos que a sua vida corria perigo.

Nada podíamos fazer. Somente esperar… não é?

Eu juro que se dependesse de mim, já teria tomado uma atitude. Mas confesso que me sentia (sinto) completamente impotente diante da realidade.

A verdade é que o ódio que sinto neste momento, não é pela sua partida. É por quem cometeu esse crime com você.

Eu acho que a soberba do ser humano passou dos limites.

Imagine isso: as pessoas agora estão brigando para saber qual tragédia merece mais destaque no nosso peito vazio.

Quanta ignorância!

Quando se perde algo importante nesta vida, não existe dinheiro, guerra ou prisão que nos traga o que foi perdido de volta.

É essa ganância misturada com o desprezo pelo outro, que nos torna cada vez menores.

Aliás, se ponderarmos, é graças a você que chegamos até aqui.

Porém, pelo do fato de você estar sempre ali, de braços abertos à nos receber; parece que é da nossa “natureza” lhe menosprezar.

Alguns poucos sabem da sua importância para a nossa própria sobrevivência. E quando você morre, morremos todos nós.

Chega a ser uma ironia, pois não há “santo” que resista a essa “lama” que toma conta das nossas almas.

No fundo, me sinto culpado também. Queria ter feito mais por você, lutado pela sua vida…

E diante disso tudo, fico pensando: será que você nos perdoará?

A única coisa que tenho certeza é que o lugar onde você viveu, nunca mais será o mesmo.

E o que você nos proporcionava, por ali acabou.

É triste, mas com a sua morte, se vai também o surfe no Espírito Santo.

Foto: Reprodução/Facebook

#Repost @cabrito13 with @repostapp.・・・Isso é triste demais , quem já teve a oportunidade de desfrutar desse pico…

Posted by Filipe Toledo on Terça, 24 de novembro de 2015



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.