Esporte paralímpico brasileiro precisa de divulgação para continuar crescendo

A falta de reconhecimento e apoio de patrocinadores é o principal problema dos atletas, que mesmo assim, conseguem ótimos resultados. O esporte paralímpico brasileiro vive uma boa fase. Pelo menos, é o que aparenta. Nos Jogos Parapanamericanos de Toronto-2015, a delegação brasileira teve o maior número de atletas (271) e foi líder do quadro de medalhas, com 257 no total. Foram 109 ouros conquistados, mais que Canadá e Estados Unidos – segundo e terceiro colocado, respectivamente – somados.

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De todas as modalidades, a natação foi a que trouxe melhores resultados. Ao todo, foram 104 medalhas, sendo 38 de ouro. Uma das representantes do Brasil na modalidade é a jovem Esthefany Rodrigues, de 16 anos. No Parapan,ela conquistou seis medalhas, sendo um ouro, quatro pratas e um bronze. Além disso, a atleta foi recordista mundial e conquistou o ouro no revezamento 4×50 misto, no Mundial Paralímpico de Natação, realizado esse ano, na Escócia.

Quem vê os resultados dos atletas paralímpicos brasileiros pode achar que tudo caminha muito bem. Mas, não é isso que acontece. Esthefany possui uma rotina intensa, dividida entre treinos e estudos. Ela estuda no período da manhã e após o almoço possui três horas e meia de treino – sendo duas horas e meia na piscina e uma de parte física.
A jovem atleta possui encurtamento dos membros e escoliose em S na coluna. Aos três anos, ela inicou na natação por recomendação médica. Mas, o que era apenas um tratamento se tornou profissão quando o técnico da seleção a viu em uma competição e a convidou para ser uma atleta de alto rendimento.

Esthefany contou que enfrentou dificuldades financeiras no início. “Eu tinha que pagar tudo, até passagens das viagens para competições dentro do Brasil representando o clube que nado (Clube dos Paraplégicos de São Paulo – CPSP)”, disse. Hoje, ela recebe do governo uma chamada bolsa atleta. “Não é muito, mas ajuda. Porque tem que ter uma boa alimentação, os maiôs não são baratos (o de competição custa R$ 1.700), além dos de treinos, toucas, entre outras coisas”, completou.

Apesar do ótimo desempenho brasileiro em competições internacionais, ainda não há o devido apoio e reconhecimento por parte de patrocinadores e do público. A falta de divulgação na mídia é o principal motivo desse problema. Esthefany Rodrigues sofre com a falta de patrocinadores que ajudem financeiramente, mas nunca pensou em desistir por isso. “Meus pais trabalham e se chegasse a faltar [dinheiro] eu pensaria em fazer rifas, entre outros”, afirmou.

O público brasileiro, em geral, não conhece muito o esporte paralímpico, diferente do que acontece em outros países, como o Canadá. “Lá as coisas são de primeiro mundo, tudo climatizado, os atletas são reconhecidos… é bem diferente”, contou Esthefany. Segundo ela, o maior reconhecimento é por parte da família e amigos que dão bastante apoio. “Algumas pessoas vêem o atleta paralímpico como alguém com dificuldade, mas outros como vencedores, guerreiros que encaram seus desafios e fazem muitas coisas que uma pessoa ‘normal’ não faz”, completou.

A mídia brasileira terá uma grande oportunidade de divulgar o Esporte Paralímpico em 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro. Será a chance de atrair patrocinadores e ter reconhecimento para continuar crescendo cada vez mais. Esthefany espera que o Brasil chegue muito bem nas Paralímpiadas. “Apesar das dificuldades dos atletas, eles continuam em busca de seus sonhos. Espero que o Brasil nos dê apoio, vá assistir aos Jogos e exijam que a mídia transmita,pois não transmitiram os Jogos Parapanamericanos”, disse.

Crédito da foto: Reprodução/ Instagram



Paulistano, estudante de jornalismo, 20. Desde 2015 no Torcedores.com.