Como a camisa da Chapecoense foi parar na Nova Zelândia? Um irlandês explica

Crédito: Reprodução / Facebook Chapecoense

É de praxe quando um gringo vem ao Brasil e quer saber mais sobre a nossa cultura, principalmente do futebol. Afinal, o nosso país é consagrado pelo esporte mais praticado do planeta. E quando o turista já é inteirado no assunto, logo busca as informações sobre os principais times do país. Como o principal ponto turístico é o Rio de Janeiro, muitos optam por Flamengo, Vasco, Fluminense ou Botafogo. Cada um se identifica com o que acha o melhor.

Mas, e quando você sai do interior do estado e vai para o exterior, assim assumindo o papel de gringo? Nada melhor do que você falar sobre o esporte mais amado do país em outra cultura diferente. A exploração é ainda maior. Papo vai, papo vem, e todos ficam naquela expectativa: para qual time você torce?

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“Chapecoense”. Chapecoense? Quem é Chapecoense? “Primeiro que sou de Chapecó (SC) e sempre fui incentivada pelos meus pais a torcer pelo time. Meu pai foi vice-presidente do clube e minha mãe sempre está envolvida no marketing. Para você ter noção, na minha casa tem duas bandeiras nos muros e ficam o ano inteiro lá”.

Calma, quem disse isso não foi o principal personagem dessa história, mas sim Marina Piazza, que transformou o nosso personagem em mais um torcedor verde e branco.

“Morei dois anos na Nova Zelândia e todo mundo que conhecia me perguntava sobre futebol. Por ser brasileira, eu sempre falei que o time de Chapecó é o melhor”.

Viram? Tá explicado o porque da Chapecoense se tornar famosa na Nova Zelândia. Mas o que um irlandês tem a ver com neozelandês? Tudo! Sean Bagnall acabou sendo o principal alvo dessa história que me chamou atenção.

Quem acompanha o Facebook da Chape, sabe que é um dos melhores do futebol brasileiro. Eis que me deparo com um figura correndo em meio ao verde, com a camisa do Verdão, e na legenda: “irlandês” “Sean Bagnall” “Nova Zelândia”. Claro que é um choque e você pensa “O que um irlandês está fazendo na Nova Zelândia usando uma camisa da Chapecoense?”. Travei!

Não resisti e fui tirar essa história a limpo. Sim, eu conversei com o mito da foto, o Mr. Bagnall. Simpático, respondeu algumas perguntas e eu ficava dando risada sozinho e pensando: “Esse cara é muito torcedor da Chapecoense. Só esse time pra fazer essas coisas”.

A minha primeira pergunta, logo de cara, foi “Por que Chapecoense?”

“Minha amiga, Marina, é de Chapecó e veio ficar um tempo aqui em Queenstown [cidade da Nova Zelândia]. Ela me falou muito sobre o time de lá, então eu acabei ganhando a camisa da Chapecoense. Falei para ela que usaria na maratona da cidade”.

A partir daí, Bagnall ganhou um novo time e sempre tenta se manter informado do que acontece. Marina ajuda. Claro que o irlandês ainda aprimora o seu conhecimento futebolístico, já que o seu esporte favorito é o rugby.

Mas, uma outra coisa que me chamou a atenção foi a pose que ele fez para a fotografia. Tive que perguntar se era algo pensado e expliquei pra ele que alguns acharam bem fotogênico.

“Sim, era algo pensado. Eu estava na marca dos 18KM da maratona e vi um fotógrafo. Então eu decidi fazer aquela pose mesmo”.

O irlandês também sabe voar. E tem um uniforme pra isso. Adivinha qual?

Agora uma outra surpresa. Quem é o craque da ChapeTerror?! Eu juro que esperava a resposta do tipo Apodi, o nosso Índio-The Flash, porém foi algo surreal!

“Nivaldo. Ele é muito bom!” Opa, pera. Travei de novo. Nivaldo? Se ele respondesse Danilo, obviamente entenderia. Mas, Nivaldo? Quem sou eu para questioná-lo? Claro que perguntei se ele conhecia o Apodi.

“Eu o vi na TV. Em breve eu irei ao Brasil visitar a minha amiga e irei ver um jogo de verdade”.

THAT’S THE FUCKING SPIRIT! E você aí, vendo o jogo do seu time pelo pay-per-view. Quem ama vai ao jogo! Das glórias atuais, perguntei se ele assistiu a partida contra o River Plate pela Copa Sul-Americana.

“É um grande jogo?”, perguntou o irlandês empolgado.

Expliquei que sim e que era a primeira participação do clube em um torneio internacional. Perderam, mas fizeram bonito, e o Brasil inteiro torceu pela Chape.

“Ah, isso é legal!”, respondeu.

Agora, sobre Palmeiras e Internacional, Bagnall preferiu falar sobre a paixão pelo rugby. Achei justo.

Justo também é ver como o futebol chama atenção de diversas tribos. Não tem como. E quando envolve times especiais, que saem da mesmice, isso mexe com qualquer um, inclusive para o jornalista que vos escreve. Foi muita empolgação isso. Quando você escreve uma matéria sorrindo, é muito prazeroso. Podem passar pessoas em sua volta, fazer barulho, mas o seu foco continuará sendo o momento de redigir um fato que aguça ainda mais o seu sentimento. Isso é eterno. Assim como a paixão pelo clube, ainda mais se for pela Chapecoense.

Obrigado, Marina. Obrigado, Mr. Bagnall. Obrigado, Chapecoense. Obrigado, futebol. Só você para proporcionar estes momentos. E espero que para vocês também.

Pensa que acabou? Ele deixou um recado pra galera de Chapecó. Confira:

Crédito: Reprodução / Facebook Chapecoense