Opinião: Atlético-MG precisa ajudar sua torcida a acreditar

Crédito da foto: Bruno Cantini/CAM

A derrota para o Corinthians, por 3 a 0, domingo passado, que sepultou o sonho do Atlético-MG de chegar ao título brasileiro, quebrando jejum de 44 anos, ainda não foi esquecida pelo torcedor do time. Muitos atleticanos preferiram exaltar o comportamento da torcida, que não desiste nunca, ao contrário do que aconteceu com a equipe, que deu pelo menos três grandes vexames no atual Brasileirão.

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Pelas redes sociais, em matérias de rádio, TV, internet e jornal, torcedores desfilaram sua fé inabalável no Atlético e já deixaram evidente que a corrente do “Eu acredito” no título do Brasileiro estará firme em 2016. Antes disso, no entanto, os atleticanos já começam a voltar o foco para a Libertadores, na expectativa de repetir o feito histórico de 2013.

Matematicamente, da mesma forma que o Corinthians ainda não é o campeão brasileiro, o Atlético também não tem vaga assegurada na próxima Libertadores. Mas está muito próximo disso. A preocupação já manifestada por alguns jogadores é segurar a vice-liderança, no momento protegida por três pontos e duas vitórias a mais do que o Grêmio, terceiro colocado.

Mas são necessárias ainda algumas análises e reflexões sobre a campanha atleticana, que é boa, tanto que é superior a alcançada por três clubes que foram campeões a partir da implantação do sistema de pontos corridos. A campanha é boa, mas é marcada pela irregularidade. Talvez seja essa a grande diferença entre Atlético e Corinthians no atual Brasileirão.

O Timão foi crescendo de forma sólida ao longo da competição, enquanto o Atlético, que começou exuberante, passou a oscilar. Mais ainda no segundo turno, quando perdeu pontos importantes para times mal colocados na tabela de classificação, ao contrário do rival paulista, que vencia dentro e fora de casa.

Em determinado momento, o Atlético preocupou-se em demasia com arbitragens, vendo até mesmo um esquema para favorecer o Corinthians. É verdade que o Timão foi beneficiado em alguns jogos e o Atlético prejudicado em outros, mas nada que apague a grande diferente tática e técnica entre as duas equipes, com nítida vantagem para os paulistas.

Um time que pretende ser campeão, não pode ser goleado como aconteceu com o Atlético por Santos e Sport, por 4 a 0 e 4 a 1, em partidas inexplicáveis. Contra o Corinthians, o ‘apagão’ foi menor, mas suficiente para justificar a derrota por 3 a 0 e o fim do sonho.

Não se pode nem dizer que o Atlético chegou perto do título. Desde que foi ultrapassado pelo Corinthians na liderança foi perdendo fôlego e não teve forças para encostar para valer no rival. Prova disso é que chegou ao confronto direto com oito pontos de desvantagem, que viraram 11.

Corinthians e Atlético não possuem elencos tão superiores aos demais participantes do Brasileiro. Mas conseguiram montar times eficientes, com técnicos que conseguiram lhe dar padrão de jogo. Mais Tite do que Levir Culpi, que na reta final da competição viu sua equipe falhar em momentos decisivos.

No Corinthians as substituições eram naturais e não afetavam a forma de o time atuar. No Atlético a saída de titulares sempre gerava preocupação aos torcedores. Raramente o banco atleticano fez diferença durante um jogo. Já no lado paulista isso aconteceu com frequência.

O trabalho deste ano deve ser valorizado e mantido para 2016, mas com a correção de erros. É preciso investir em reforços, não apenas para ‘compor elenco’, mas para fortalecer o time titular. Não se trata de mudar a equipe inteira, mas colocar peças importantes nos lugares certos.

Na temporada que se aproxima do fim, ficou a impressão de soberba de dirigentes e comissão técnica, que não enxergaram a necessidade de contratações pontuais durante o Brasileirão. Se houve a percepção da carência e não foi possível reforçar por falta de recursos financeiros, por exemplo, era preciso informar a torcida com transparência.

Faltou também jogar com a base. É difícil explicar o que acontece com o Atlético, que tem sempre times fazendo boas campanhas em torneios nacionais sub 17 e sub 20, mas que não conseguiu subir nenhum atleta em condições de ser titulares este ano. Mesmo jogadores revelados ano passado, como Carlos, Dodô e Eduardo, pouco produziram nesta temporada.

A hora agora, além de confirmar a vice-liderança no Brasileiro, é de diagnosticar erros, para corrigi-los e planejar com mais eficiência a próxima temporada. Se não fizer bobagem o Atlético começará 2016 em boas condições, por causa da base forte e de um trabalho bem feito, que merece e precisa ter continuidade.

Foto: Flickr oficial do Atlético-MG



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