Opinião: Palmeiras não precisa do favoritismo

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Faz uma semana que não assisto programas de futebol. Não tenho visto pela falta de tempo e também para não sofrer. Desde de que foram definidas as finais da Copa do Brasil, nós palmeirenses, discordamos de tudo que se fala nas mesas redondas futebolísticas. De cada dez, onze dizem que o Santos é favorito. Alguns dizem que o Palmeiras não verá a cor da bola nas duas partidas e tomará duas goleadas. Tem aqueles que apenas dizem que o Santos é favorito pelo momento que vive e que será campeão. Doí ouvir tudo isso, mas estamos calejados com a falta de favoritismo.

Poucas vezes, na história, o Palmeiras foi taxado como favorito pela imprensa. Até quando o time era melhor, lá vinham eles dizendo que o Alviverde de Palestra Itália não aguentaria a pressão. E quando o time era franco, então, nossa, só faltavam nos comparar com os times da Copa Kaiser. E o que fizemos com esse desprezo da imprensa? Sempre transformamos em motivação.

Em 93, após a primeira partida da final do Paulistão, todos (acho que até alguns alviverdes) já falavam que o Corinthians seria o campeão. A fila e a desconfiança eram as adversárias do Palmeiras, no segundo jogo. Quando a bola rolou o que se viu foi um time que simplesmente incorporou a alma da torcida e deu show dentro de campo.

Na final da Copa do Brasil, de 98, foi mais do mesmo. Depois do Cruzeiro vencer por 1 a 0, no Mineirão, todos, sem exceção, já cantavam a vitória do cruzeirense, no Morumbi. Felipão fez a torcida acreditar que seria diferente de 96, quando o ataque dos 100 gols acabou perdendo o título, dentro do Palestra, para o mesmo Cruzeiro.

Em campo, naquele sábado, 30/05, mais de 45 mil torcedores puderam presenciar um Palmeiras com a cara da nossa torcida. Foi a torcida que bateu a falta aos 44 min do segundo tempo, e que no rebote do goleiro cruzeirense, Oséias e o setor amarelo, do Morumbi, chutaram sem ângulo, para fazer o gol do título.

Nos jogos contra o Corinthians, em 99 e 2000, pela Libertadores também foi assim. Mas, nós, tínhamos um representante da torcida em campo. Com São Marcos de Palestra Itália, canonizando a camisa 12, o Palmeiras, mais uma vez, calou todos que não acreditavam na nossa vitória.

Em nossa última conquista, em 2012, quem não se recorda do “craque” Neto dizendo que o Grêmio venceria o Palmeiras, no antigo Olímpico. O que se viu em campo, foi mais uma vez a força da nossa torcida na alma dos jogadores, e um 2 a 0 daqueles que fazem o torcedor alviverde não desistir do seu time. No jogo final, contra o Coritiba, outra vez, diziam que não aguentaríamos a pressão, mesmo vencendo em casa, pelo mesmo placar que tínhamos vencido o Grêmio. Em campo, o nosso torcedor da vez foi Betinho, que com um gol de ombro, nos deu o título.

Agora, em 2015, não será diferente. Mesmo ficando indignado com tudo que vejo a imprensa dizer, sei que o torcedor alviverde até prefere que o favoritismo fique para o outro lado. Nós sabemos que no campo, sempre teremos o nosso representante que calará todos aqueles não acreditam na Sociedade Esportiva Palmeiras.