Opinião: torcida, diretoria e jogadores são responsáveis pela fase do São Paulo

Reprodução/Site oficial do São Paulo

Uma súplica, um grito de socorro ou até uma vaga para a Copa Libertadores não irá apagar o vexatório ano de 2015 do São Paulo Futebol Clube. Aqui, pretendo apontar alguns culpados, começando pela torcida. Pensamentos como: “Ahh o time está mal, leva vareio em todos os clássicos, mas o Jason está lá na ponta de cima, brigando pelo G4” ou “2013 foi o pior ano da história do Tricolor e terminamos em 4º lugar em uma competição internacional e em 9º lugar no Brasileirão após lutar contra o rebaixamento”.

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O torcedor, movido pela paixão, não sabe, mas é esse pensamento que diminui seu time e torna seu discurso derrotista. Precisamos assimilar a situação com maturidade e, parafraseando o ídolo Rogério Ceni, assumir que estamos uma bosta!

Porém, a torcida não pode ser apontada como maior culpada porque não é ela quem contrata. Tampouco quem entra em campo. A torcida, aliás, mesmo perante tamanha oscilação que o time apresenta, vem aumento o número de sócios-torcedores. Pobrezinhos! O que recebemos em troca?

Os jogadores, claro, estes têm parcela de culpa bem maior, pois são a vitrine do clube. Única vitrine, inclusive, de um time outrora tradicional em diversas modalidades esportivas. O futebol é a paixão nacional e o esporte que traz mais dinheiro ao clube, mas se o São Paulo (que já foi referência no boxe, no atletismo e no judô) não se destaca em nenhum outro esporte atualmente, é sinal que algo de errado acontece. Onde o dinheiro está sendo investido?

Os atletas tricolores que vão a campo são mestres na arte de iludir. Capazes de virar jogos contra poderosos adversários e, na sequência, levar goleadas históricas para o time reserva do maior rival. Falta qualidade e falta hombridade. Qualidade você aprimora com treinos. Já hombridade não está à venda em qualquer esquina.

Em 2015, nos acostumamos a ver jogadores reclamando de atrasos salariais na mídia. Chato sim, mas até aí o campeão brasileiro sofreu do mesmo mal. E as diferença entre São Paulo e Corinthians são gigantes. No São Paulo, o atleta substituído reclama do técnico e xinga a torcida. Se acham intocáveis, mas não passam de mimados. Para o torcedor a verdade é uma só: time que ganha, é bom; time que perde, é ruim. O que precisa é jogar bola.

Mas como podemos julgar o trabalho dos jogadores se o ambiente no clube é perturbado? Ninguém sabe o que acontece no São Paulo senão aqueles que convivem diariamente com atletas, comissão e diretoria. Mas não precisa ser um gênio para assumir que o elenco é rachado, que jogadores querem derrubar técnicos e que união é uma palavra que não existe. O time vai a campo e não vemos entrega, não vemos um correndo pelo outro. Impossível trabalhar em um ambiente tão adverso.

Tudo isso para chegar ao óbvio ululante: diretoria. Falar mal da diretoria do São Paulo é recorrente. Os recentes escândalos falam por si. Quando a gestão vai mal os resultados se refletem em campo. No curso da história do futebol já existiram times campeões com diretorias incompetentes, mas nunca houve uma proteção tão grande aos atletas como nos dias de hoje. Basta uma derrota em campo que a resposta dos boleiros já está na ponta da língua: “o ambiente desfavorável contribui para o péssimo rendimento do time nas partidas”.

O torcedor que tem tempo e disposição para protestar na porta do Centro de Treinamento precisa ser pontual em suas críticas. Aliás, como pode o brasileiro mais vezes campeão do mundo seguir para mais um ano sem sequer um patrocínio máster na camisa? Certamente, a morosidade dos diretores ocorre pelo fato de que muitos que alí estão não ocupam o cargo por mérito, mas por apadrinhamento e afilhadismo. São diretores de futebol que não entendem de futebol e gerentes administrativos que não entendem de finanças.

Uns escrevendo, outros com paus e pedras, precisamos exigir mais transparência no clube com as armas que temos. A guerra à impunidade foi declarada!

E que fique bem claro que da próxima vez que você entrar em campo eu estarei lá para te ver. Se movido por amor ou por ódio, não sei mais dizer. Mas enquanto alguns se gabam por ter a marca mais valiosa fora da Europa, eu continuo não dando nem um tostão furado pelo que você se tornou, São Paulo.

Foto: Reprodução/Site oficial do São Paulo



Um homem de muitas paixões. A primeira é a vida. A segunda é o Futebol. A terceira é o Jornalismo. Portanto, decidi estudar Jornalismo para ficar perto do Futebol e me sentir realizado na vida. Leitor assíduo de livros, revistas e jornais. Um dos meus passatempos é pesquisar a carreira daquele cara que passou pelo meu time em 2001 e saber onde ele está jogando.