Saiba como é a vida de um árbitro da várzea. Tem até ameaça de morte!

Futebol de Várzea

Quantos de nós leitores aguentariam ouvir, seu FDP, sua mãe é uma….Se você errar vou te matar, juiz ladrão vai sair de camburão! (Deu para entender, certo?) Então…essa é a vida de um árbitro de futebol de várzea. São “causos” que passei e vou contar para vocês.

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Bom, como todo tipo de trabalho, esse também não é diferente. Homens sofrendo pressão, acertando, errando, homens que amam (nossa, hoje estou poético!).

Mas nem tudo acaba como deveria. Por ser um esporte emocional, o futebol tem seus caprichos. E por um erro de regra, aconteceu uma grande confusão em um campo na região do ABC, mais precisamente em Rio Grande da Serra. História confusa do futebol de várzea que fiz parte e vou contar para vocês.

Final de veteranos. O jogo era entre Guerreiros e Ferrovia. A partida se encaminhava para o final. O time do Ferrovia estava ganhando por 1 a 0. Houve um escanteio para o time do Guerreiros. Todo o time foi para a área adversaria. Até o goleiro, menos um zagueiro que ficou marcando o atacante do Ferrovia. Os dois estavam no campo de defesa do time Guerreiros. A regra do futebol explica que, para não haver condição de impedimento, deve-se ter dois defensores. Nesse caso, um atacante e um defensor. O que aconteceu? Acredito que alguns já imaginaram…

O escanteio foi cobrado. O goleiro do Ferrovia pegou a bola e lançou diretamente para esse “solitário atacante”. Talvez por estar no calor do jogo e da torcida, ele não viu a bandeira levantada anotando a infração. Nem o árbitro, nem os jogadores viram. Só que tinha um detalhe. Eu era o bandeira! O atacante foi em direção ao gol, tinha tudo para marcar, mas a partida já estava paralisada porque ele estava em posição de impedimento.

Daí, a confusão começou! O jogo quase acabou. A torcida invadiu. Empurrões para todos os lados. Após mais de 10 minutos paralisado, a partida se reiniciou. Já ouviu falar o que costuma acontecer quando um duelo equilibrado vai para os acréscimos? Claro que o time dos Guerreiros empatou a partida, que terminou 1 a 1. Só que, na várzea, o duelo nunca termina empatado. O vencedor é definido na disputa de pênaltis.

E aí, o que aconteceu? Adivinhem…Voltou novamente a confusão! Torcedores invadiram. Daí, meus amigos, até lances bobos como uma cobrança de lateral errado voltaram à tona na hora de cobrar a arbitragem.

Resumo da história: entre socos, cusparadas e juras de amor (ops, de morte), conseguimos ir para cobrança de penalidades. Todos os chutes do time do Guerreiros foram convertidos. Do Ferrovia, somente um foi defendido pelo goleiro, esse que me fez usar a regra que ninguém entendeu e gerou maior confusão.

Foi uma história e tanto que, como outros “causos”, vai ficar na memória do nosso Futebol de Várzea, que é um local de muita emoção de jovens Neymares, “Gabrieis Jesus”, de veteranos como Adhemar, Gustavo Nery, entre outros. Várzea é a verdadeira paixão por esse esporte. Um dos poucos esportes que movimentam tantas pessoas e tantas emoções.

Obrigado e segue o jogo!

Crédito da foto: Reprodução/Youtube



Sou Formado Árbitro de Futebol pela FPF. Na várzea o Juiz, Professor, FDP, entre outros Graduado em Comunicação Social Estudioso em leis do Futebol Marketing esportivo Gosto de falar com pessoas, as mais diversas Sou humorado Gosto de esportes e resenhas sobre. Sei nadar cachorrinho Gosto do pequeno Príncipe Shimeji, gosto muito, curioso, fã do Sidney