Seis meses depois, outra final: o quanto Santos e Palmeiras mudaram do Paulista para a Copa do Brasil?

No dia 3 de maio deste ano, Santos e Palmeiras disputaram na Vila Belmiro o jogo decisivo da final do Campeonato Paulista. Pouco mais de seis meses depois, na noite da próxima quarta-feira, as mesmas equipes voltam ao estádio para a partida de ida da final da Copa do Brasil. Mas será que é justo falar que são as “mesmas equipes”?

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Os caminhos usados por Santos e Palmeiras para bater o rival em 2015

Não é. Então vale a análise: o quanto cada time mudou para chegar à mais uma final em 2015?

  • O primeiro ponto e a mais perceptível mudança á a escalação de cada equipe. Veja como o Santos entrou em campo no jogo decisivo do Paulista: Vladimir; Victor Ferraz, Werley (Gustavo Henrique), David Braz e Chiquinho; Valencia (Leandrinho), Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho (Cicinho) e Ricardo Oliveira.

Destes, apenas quatro jogadores serão, com certeza, titulares na final do torneio nacional. Vladimir, Werley, Chiquinho, Valencia e Geuvânio são, agora, reservas. Robinho saiu. E Victor Ferraz voltou de lesão no último final de semana – se estiver bem pode ser escalado, mas é dúvida..

Agora, o Palmeiras da final estadual: Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel (Amaral) e Robinho (Cleiton Xavier); Rafael Marques, Valdivia (Jackson) e Dudu; Leandro Pereira.

São apenas seis nomes que continuam no time titular. Victor Ramos e Rafael Marques são reservas. Gabriel está lesionado. E Valdivia e Leandro se transferiram do clube.

  • Os técnicos são outro ponto que mudou fácil de perceber. O Santos foi campeão paulista com Marcelo Fernandes no comando. Hoje, ele é apenas assistente de Dorival Jr., que chegou após o primeiro deixar o time na zona de rebaixamento do Brasileiro.

No Palmeiras o comandante também é diferente. Oswaldo de Oliveira foi outro a ser demitido por má campanha no Brasileiro. Para seu lugar, chegou Marcelo Oliveira – já contestado, mas ainda firme no comando e com créditos, já que é o atual bicampeão brasileiro e pegou o time no meio da temporada.

  • Agora, as mudanças menos notadas, mas que podem ser decisivas para se saber quem leva a taça da Copa do Brasil. O estilo de jogo de cada time passou a ser outro – qual que se encaixará melhor?

No Santos, Dorival mudou vários jogadores por conta própria: bancou Zeca na lateral esquerda, Gustavo Henrique na defesa, Thiago Maia de volante, Gabriel no ataque e Marquinhos Gabriel como o novo homem que varia entre o meio e a frente. O time passou a levar menos gols e a marcar mais do que com Marcelo Fernandes – fruto dessas mudanças.

Além disso, fez Ricardo Oliveira se movimentar para fora da área, Gabriel jogar variando entre a ponta e a posição de “falso nove”, Lucas Lima e os laterais triangularem. O time quase não cruza e valoriza mais a posse de bola do que na época do Paulista.

Já o Palmeiras passou a ter Gabriel Jesus, pedido desde o Paulista, na frente. Com a lesão de Gabriel, passou também a jogar com dois volantes – Arouca e mais um. E o mais importante: com a saída de Valdivia, Marcelo fortaleceu as laterais do campo, já que o homem que controla a bola não mais está no meio. Assim, passou a ser o time no Brasil que mais faz gols de cabeça após cruzamentos.

  • Qual sistema, então se encaixa contra o do rival? A resposta só sairá na noite do dia 2 de dezembro, data do jogo de volta. Se o Palmeiras abusa de cruzamentos, o Santos tem a bola aérea como principal defeito defensivo. Por outro lado, a defesa do Palmeiras não soube parar o ataque do Santos no último jogo entre eles, pelo Brasileiro, há menos de um mês. A dúvida persistirá por mais uma semana.

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC



Jornalista esportivo.