Você conhece a Training Mask ou TMK? (Parte 1)

Training Mask: veio para ficar ou é mais uma moda?

Veja o que dizem Elias de França e o BEST TRAINER ÉRICO CAPERUTO.

Um novo acessório, conhecido como training mask  (TMK), está disponível para os praticantes de exercício físico com a promessa dar um “up” na resposta ao treinamento (ou seja, aumentar a performance) e com a sugestão de que atletas podem evitar os onerosos períodos de aclimatação, em ambientes de altas altitude.

O TMK foi lançado no mercado sem nenhum suporte científico (ou seja, sem eficácia comprovado por diversos laboratórios independentes). Este equipamento é capaz de simular a hipóxia semelhante a altas altitudes , por isso, em teoria, parece ser uma interessante alternativa para promover adaptações no metabolismo de fornecimento de energia aeróbia. Entretanto, são escassos os estudos na literatura científica sobre a sua eficácia. Além disso, os poucos estudos que existem são controversos .

Há evidências relatadas (inclusive por colegas fisiologistas e treinadores) dizendo que este acessório funciona (aumenta a performance atlética), mas como se os estudos atuais não demonstram isso? Diante desta situação, é inevitável não pensar nas seguintes questões: 1°: o TMK é um placebo?  E 2°: os artigos que avaliaram o TMK fizeram as perguntas corretas? Se sim, 3º: os desenhos dos estudos foram suficientemente sólidos para responderem as perguntas?  Antes de responder estas três questões (para um melhor entendimento do tema) temos que responder pelo menos outras três:

Por que e como ocorre a hipóxia na altitude?

A diminuição da pressão atmosférica reduz a pressão do ar sobre nosso organismo, inclusive do oxigênio (O2). Basicamente, o caminho percorrido por uma molécula de O2 (do meio ambiente para dentro da nossa mitocôndria) depende de dois fatores: pressão atmosférica (que, literalmente empurra o ar para dentro das nossas cavidades); e do gradiente de concentração (este guia o oxigênio aos locais de baixa concentração de O2). Ilustrativamente, o transporte de O2 para nossa mitocôndria é como se fosse andar de fusca: sendo que o motor é a pressão atmosférica (que empurra a lataria); o motorista, o gradiente de concentração (o guia); já a lataria do fusca, seria o O2.

Quando nossos times vão jogar a Libertadores, por exemplo, em La Paz (a 3.577 metros do nível do mar), eles cansam mais rápido, pois a entrega de O2 fica prejudicada, logo, a produção de energia aeróbia também é prejudicada (seguindo a ilustração, seria como se o motor perdesse força). Para piorar a situação, além do jogador ficar facilmente cansado, a bola fica mais rápida, pois lá o atrito do ar é menor (justamente devido a menor pressão do ar).

Por que e como a máscara promove a hipóxia?

Basicamente, o TMK é uma máscara que restringe a entrada (fluxo) de ar, e, consequentemente a entrada de O2. Com isso, a produção de energia aeróbia (fosforilação oxidativa), neste caso também será intencionalmente limitada.

Parece que este acessório tenta imitar o que acontece em alta altitude, entretanto, não por meio da diminuição da pressão do ar ou alteração de gradientes de concentração, mas é como se o fusca andasse com o freio de mão puxado.

Segundo o fabricante a máscara é capaz de restringir a entrada de O2 simulando altitudes numa faixa de 914 a 5486 metros.

Por que e como o déficit de oxigênio associado ao treinamento físico poderia melhorar a performance atlética?

Há evidências demonstrando que o treinamento em hipóxia a nível do mar (normalmente utiliza-se uma câmara hipobárica ou um aparelho  especial para estas simulações) pode promover adaptações superiores quando comparado ao treinamento em normóxia.

Teoricamente, nosso organismo não entende se o déficit de O2 foi por alteração na pressão atmosférica ou por restrição de ar, simplesmente ele terá que se adaptar àquela condição.

Para evitar uma fadiga precoce (quando se vai competir em grandes altitudes), sabemos que devemos ir com antecedência (dependente da altitude, maior ou menor antecedência) para que haja uma aclimatação, ou seja, fazer com que o organismo sofra com o déficit de O2, e assim, se adapte àquela condição.

Uma recente revisão abordou quais adaptações sofremos quando vamos a essas localidades (situação de hipóxia hipobárica). Basicamente, o que se observa é o aumento do tecido sanguíneo, capilarização, biogênese e aumento da eficiência do trabalho mitocondrial  que podem ser analisados por aumento nos seus respectivos marcadores de expressão gênica como o HIF1, VEGF e e PGC-1α.

As adaptações citadas no parágrafo anterior também podem ser observadas em resposta ao treinamento em normóxia, na altitude do nível do mar (hipóxia normobárica), ainda que em menor escala . É provável que essas respostas possam ser potencializada com a utilização do TMK , mas ainda não sabemos (pois os estudos ainda não foram realizados).

E o que a ciência diz sobre o TMK?  Saiba mais na próxima matéria que será publicada no dia 27/11!

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Crédito da foto: Getty Images



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