Você sabia que o primeiro Gre-Nal da história do Beira-Rio terminou em pancadaria?

Reprodução/Internet.

O que era para ser mais uma atração na série de eventos que marcaram a inauguração do Beira-Rio virou uma verdadeira batalha. Inter e Grêmio faziam, no distante 20 de abril de 1969, o primeiro Gre-Nal da história do Beira-Rio, erguido às margens do Guaíba e nova casa colorada em substituição aos Eucaliptos. Válido pelo Gauchão daquele ano, as duas equipes protagonizaram o clássico mais violento em mais de 100 anos de disputa.

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Um episódio ocorrido na década anterior ajudou a esquentar os ânimos para o primeiro clássico na casa colorada. Em 1954, o Grêmio chamou o Internacional para duelar na abertura do Estádio Olímpico. Sem se intimidar com o novo reduto gremista, os colorados foram soberanos na partida e aplicaram um histórico 6×2. Passados 15 anos, o tricolor queria dar o troco. E se não desse na bola…

Teria que ser de outro jeito. Na semana que antecedeu a partida, como de costume, dirigentes trocaram farpas e até o próprio jogo esteve ameaçado. Assim que começou, ficou evidente o clima pesado entre os jogadores e os excessos nas divididas. Não demoraria a descambar para a violência. Um outro componente servia para colocar ainda mais gasolina em um incêndio inevitável: Sérgio Moacir Torres Nunes, goleiro gremista nos 6×2 da inauguração do Olímpico, era o atual técnico do tricolor no clássico de 1969. Era compreensível que não quisesse entrar para a história como o pé-frio das inaugurações.

Orion Satter de Mello, árbitro do Gre-Nal 189, teve trabalho em dobro naquela tarde. A bola era um mero detalhe e passava despercebida para os jogadores, que esperavam apenas uma brecha para iniciarem o acerto de contas. Hélio Pires, ponteiro gremista, foi expulso aos 7 minutos do segundo tempo, mas foi meia hora depois que a situação saiu do controle.

Aos 37, o goleiro gremista Alberto protegia a bola com as mãos amparado pelo lateral Espinosa. Urruzmendi, jogador do Inter, como um trem desgovernado, partiu em disparada contra o arqueiro e passou por cima de Espinosa, dando início a uma guerra que culminou com todos os jogadores expulsos, exceto o colorado Dorinho e o próprio goleiro gremista Alberto. Em questão de segundos, os dois bancos de reservas já estavam dentro de campo participando do confronto.

Gainete, goleiro colorado, que atravessou o campo para participar da briga, foi um dos que mais apanhou, mesmo assim encheu o peito na entrevista para os repórteres ainda no gramado: “Aqui nós é que cantamos de galo!”.

Confira a pancadaria em um vídeo montado a partir de imagens de arquivo da TV2 Guaíba:

Reprodução/Internet.



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.