Ataíde divulga gravação que fez Aidar renunciar à presidência do São Paulo. Ouça e leia a transcrição!

Divulgação/SPFC

O ano conturbado do São Paulo parece não ter fim. Depois de todos os problemas que passou em 2015, dentro e fora de campo, como as vergonhosas atuações diante dos principais rivais, o clube ainda viu o presidente Carlos Miguel Aidar renunciar por conta de denúncias de desvio de dinheiro. E essa novela teve mais um capítulo na manhã desta quinta-feira. O vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, enfim divulgou a gravação da conversa com o então presidente.

Leia Mais: Racing, Huracán e Guaraní, do Paraguai: veja os possíveis rivais do São Paulo na primeira fase da Libertadores

Na gravação, Aidar sugere desviar e repartir comissão na contratação do jogador Gustavo Cascardo, da Portuguesa (que hoje está no Atlético-PR), e admite que sua namorada Cinira Maturana da Silva tentou estabelecer um contrato de comissionamento com a Under Armour.

Aidar também afirma, na gravação, que Douglas Schwartzmann, vice-presidente de comunicações de sua gestão, estava “pedindo comissão em tudo”.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes na tarde desta quinta-feira, Schwartzmann se defendeu.

“Vou ao Conselho de Ética e à Justiça Comum. Vou processar os dois e pedir a apuração dos fatos”, falou o dirigente.

Confira abaixo a transcrição da gravação:

Ataíde: E esse negócio do Gustavo (zagueiro da Portuguesa), quando a gente pode fazer?

Aidar: Ah, amanhã.

Ataíde: Mas não é outro batom na cueca, porra?

Aidar: Ele me paga honorários. Ele paga honorários pra mim. Só isso. E eu repasso a você em dinheiro. Não é nem cheque, não tem rastro nenhum, nem pra você, nem pra mim.

Ataíde: Pô, Carlos Miguel, e eu não quero esse dinheiro também, não. O que eu não quero é que você vá mexer no futebol. Vou te contar uma coisa que ninguém sabe. Caiu nas minhas mãos o acordo que a Cinira fez com a Under Armour. Ela recebeu um milhão e dez parcelas de 500, a última termina em julho de 2019. Eu não abro isso pra ninguém, eu não vou falar pra ninguém, mas eu quero que me deixe mexer no futebol, eu quero seriedade no futebol, eu não quero dinheiro de nada. Eu sou um duro, mas nunca fiz nada de errado. Eu fiquei triste quando você me ofereceu dinheiro. Você achou que eu topava essas coisas, eu não topo nada, não quero nada. E outra coisa, esse da Cinira, da mesma forma, maneira, que eu tenho, qualquer dia alguém pega.

Aidar: A Cinira tentou fazer um negócio com a Under Armour e não conseguiu. Ataíde, ela não tem contrato com a Under Armour.

Ataíde: O cara falou que tinha.

Aidar: Não tem contrato com a Under Armour.

Ataíde: Então tá bom, melhor pra você.

Aidar: Deixa eu falar uma coisa, quem tem contrato com a Under Armour é o tal do Jack, que é o Douglas (…)

Ataíde: E como é que o Douglas faz reunião lá?

Aidar: Não sei. Faz reunião onde?

Ataíde: Na casa dele pra ir contra você.

Aidar: A Cinira não tem nenhum contrato com a Under Armour.

Ataíde: Mas chegou a fazer, né?

Aidar: Isso é verdade. Ela negociou. Mas naquela época que o Douglas (…)

Ataíde: Eu não quero nada.

Aidar: O negócio da Under Armour estava perdido. Vieram uns caras para cá que falam inglês, nós fizemos uma reunião no meu escritório, almoçamos, desfizemos o negócio, e eles foram embora. Não teve negócio nenhum, nenhum. Depois eles voltaram via Jack. Agora, como é que o Jack voltou, eu não também não sei, Ataíde. Mas chegou porque eu conheci o cara aqui.

Ataíde: O Julio contou aquele dia pra nós isso.

Aidar: Eu estive com o cara, isso é verdade, o cara esteve comigo. Assinou o contrato. Agora, se tem rolo aqui, juro por Deus que não sei e também não quero saber.

Ataíde: Agora tem outra coisa, sabe o negócio da hamburgueria aí, tem um negócio da hamburgueria? Fez contrato com o Palmeiras, fez contrato com o Corinthians, fez contrato com o Grêmio. E o advogado do Palmeiras falou que está fazendo contrato com o São Paulo, mas o que atrapalhava é que o Douglas pediu 15%…

Aidar: O Douglas tá pedindo comissão em tudo. Ele veio aqui e descaradamente.

Ataíde: Por que você não acaba com isso, pô? Vamos acabar com isso, pô!

Aidar: Ataíde, eu tô com o seguinte problema, bem. Se eu mandar o Douglas embora, vai o Dedé junto. Você não percebe que eu tô acuado? Completamente acuado? Eu tô a ponto de largar isso aqui a qualquer hora. Eu tô de saco cheio. Eu não preciso disso. Se eu voltar pro escritório pra mim é muito melhor.

Ataíde: Ah, eu estou tão nervoso com essas coisas todas, rapaz, mas tão nervoso…Esse negócio do Iago foi uma merda né?

Aidar: Mas, porra, o que você queria?

Ataíde: E por que você fez essa confusão toda?

Aidar: Porque, Ataíde, você não queria o jogador? Queria ou não queria?

Ataíde: Não queria assim! Pra pagar, não, ele vinha de graça.

Aidar: O cara nunca veio de graça. Aí apareceu a porra lá na (…). Taí a Cinira, pergunta pra ela!

Ataíde: Dois filhos da puta aqueles dois, o Walter e o Raul.

Aidar: No Juan Figuer, o Raul trouxe operação de crédito, dinheiro do exterior. Esse Raul eu conheci no Centro de Treinamento como se fosse amigo do Osorio.

Ataíde: Você me contou.

Aidar: Porra, eu não sei merda nenhuma (…) aí o cara liga precisava atender (…) O nego fala “o presidente não é empréstimo não, é meu! Precisa fechar. Então fecha! Espera um pouco Oswaldo, tá quê? Dá pra pagar? Então tá bom, bom, então fecha, foi isso (…) Eu não sentei com o cara. Não sei a do cara.

Ataíde: Ah, eu estou tão nervoso com essas coisas todas, rapaz, mas tão nervoso…Esse negócio do Iago foi uma merda né?

Aidar: Mas, porra, o que você queria?

Ataíde: E por que você fez essa confusão toda?

Aidar: Por que, Ataíde, você não queria o jogador? Queria ou não queria?

Ataíde: Não queria assim! Pra pagar, não, ele vinha de graça.

Aidar: O cara nunca veio de graça. Aí apareceu a porra lá na (…). Taí a Cinira, pergunta pra ela!

Ataíde: Dois “fdp” aqueles dois, o Walter e o Raul.

Aidar: No Juan Figer, o Raul trouxe operação de crédito, dinheiro do exterior. Esse Raul eu conheci no Centro de Treinamento como se fosse amigo do Osorio.

Ataíde: Você me contou.

Aidar: Porra, eu não sei merda nenhuma (…) aí o cara liga precisava atender (…) O nego fala “o presidente não é empréstimo não, é meu! Precisa fechar. Então fecha! Espera um pouco Oswaldo, tá quê? Dá pra pagar? Então tá bom, bom, então fecha, foi isso (…) Eu não sentei com o cara. Não sei a do cara.

 



Jornalista que gosta de boas histórias e grandes personagens, não importa se dentro ou fora de campo