Opinião: Em jogo duro, River bate Sanfrecce e vai à final do Mundial

Reprodução/ Facebook oficial River Plate

O Sanfrecce Hiroshima bem que tentou repetir as ótimas atuações que teve nas fases anteriores do Mundial de Clubes 2015, e quase conseguiu. A diferença foi que neste confronto, em vez de Auckland City ou Mazembe, o adversário era o gigante River Plate.

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Porém, o favoritismo do time portenho ficou muito mais claro do início ao meio do primeiro tempo, quando os Millonarios – apelido do time argentino – agrediram os anfitriões desde o apito inicial, tomando o controle do jogo e assustando a equipe japonesa. Mas já a partir dos minutos centrais dessa etapa, com o Sanfrecce um pouco mais à vontade e marcando melhor os rivais, o que se viu foi uma sucessão de sustos de David em Golias: por duas ou três vezes, em saídas muito rápidas, o time de Hiroshima quase marcou. Foi a oportunidade do excelente arqueiro Barovero mostrar sua relevância: o capitão do time vermelho e branco salvou pelo menos dois contrataques quase letais de Minagawa. Não fosse assim, a história poderia ser outra. Então o Sanfrecce passou a gostar mais do jogo e o time favorito teve que lidar com o receio da zebra.

Foi somente aos 27 minutos da etapa complementar, já com Lucho González e Viudez em campo, respectivamente nos lugares de Ponzio e Pisculichi, que o River Plate desempatou o placar através de uma cabeçada de Alario, resgatando a sobra de uma bola mal interceptada pelo goleiro Hayashi. Com a vantagem, o River passou a administrar a partida com muito mais tranquilidade, deixando os japoneses do Sanfrecce com a tarefa de invadir a sua área para tentar o empate e a consequente prorrogação. Mas não houve maiores ameaças à meta de Barovero e o River saiu com a vitória, classificando-se para a grande final contra o vencedor do jogo entre o catalão Barcelona e o Guangzhou Evergrande, da China.

Embora a vitória do River tenha sido convincente, há lições claras para serem aprendidas com essa partida. A primeira é uma velha máxima do futebol: um jogo somente se ganha dentro de campo, na hora marcada para o jogo. Nunca fora, nunca antes. Se houve alguma soberba por parte dos jogadores portenhos, ela quase custou caro – não pareceu o caso, mas em alguns momentos eles pareciam estar à vontade demais, mesmo sem finalizar contra o gol do arqueiro japonês. Esse conforto, também, é uma forma de subestimar o adversário, e nisso o time milionário pecou um pouco. Outra lição também já deveria ter sido absorvida pelos times latino-americanos: o futebol japonês foi um dos que mais evoluiu nos últimos anos, e hoje em dia, enfrentar qualquer adversário da Terra do Sol Nascente é um desafio espinhoso. Não se pode mais confiar na aparente ingenuidade técnica e tática dos orientais porque, além de terem aprendido a jogar o jogo razoavelmente bem, também são focados, disciplinados, resistentes e correm muito. Foi isso que o Sanfrecce demonstrou nos vários contrataques que arrepiaram os 15 mil torcedores do River Plate que estavam no estádio de Osaka.

Agora é esperar o rival da grande final. Se for o Barcelona, como tão aguardado, será um confronto digno dos deuses, e o segundo título mundial do River se tornará uma façanha menos provável. Por outro lado, se algo der errado para os catalães no jogo contra os chineses (claro que é bem improvável, mas ainda possível), o River terá a chance de mostrar que aprendeu a lição de não bobear contra os times chamados “menores.” Até porque, do lado de lá, no banco de reservas, estará Felipão, louco para equilibrar um pouco a sua moral na história recente do futebol. E nesse sentido, nada seria melhor do que, tendo dado uma boa pedrada no Barça de Luis Enrique, tirar a taça das mãos de um time argentino na final.

Crédito da foto: Divulgação/ Facebook oficial River Plate



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.