Opinião: Com Bauza, o São Paulo finalmente tem seu sonhado treinador

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Há mais de um mês sem técnico e em meio a incidentes pouco lisonjeiros envolvendo a alta cúpula da diretoria anterior do clube, o São Paulo finalmente encontrou o sonhado técnico estrangeiro. Casualmente, um argentino. Mais casualmente ainda, um vencedor da Libertadores da América, menina dos olhos do tricolor do Morumbi, especialmente nesta fase de reformulação de gestão, elenco e, por que não dizer, de sua própria história recente.

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Edgardo Bauza, 57, acertou por um ano com o Diretor Executivo de Futebol do clube, Gustavo Vieira de Oliveira, que viajou ao seu encontro até Quito, Equador, onde o técnico passa o final de ano com sua família. Na bagagem de el “Patón” (os argentinos adoram dar apelidos inusitados no futebol), um título de Libertadores pela LDU (2008), outro pelo San Lorenzo (2014) e vários títulos nacionais no Equador, Peru e Argentina, como jogador ou na condição de treinador. Aliás, embora tenha atuado como defensor, Bauza foi um grande artilheiro no seu time de formação – e pelo qual também encerrou sua carreira, em 1992 –, o Rosário Central. Ele também fez parte do plantel que defendeu a Seleção Albiceleste na Copa de 1990, na Itália, ficando com o vice-campeonato.

Dessa contratação, pode-se afirmar algumas coisas: a primeira é que, tendo caído a ficha do bom senso, os dirigentes tricolores desistiram de fechar com qualquer um dos nomes caros que especulavam – no passado próximo, o ex-técnico da seleção argentina, Alejandro Sabella, já havia sido especulado; mais recentemente, falava-se em Bielsa e no técnico da seleção chilena, Sampaoli. Convenhamos que tudo isso era irreal, ainda mais para um clube que enfrenta uma situação institucional e financeira bem menos confortável do que foi nos anos 90 e começo dos 2000.

Outra constatação é que, de fato, a Libertadores passa a ser prioridade não apenas no discurso. Ao chamar Bauza, que não apenas é um ganhador de títulos internacionais, mas também um conhecedor de alguns dos estilos futebolísticos do continente, o time do Morumbi declara aberta a temporada de caça à taça. Claro que o Paulistão, o Brasileirão e a Copa do Brasil estão nesse pacote. Mas ficou mais evidente, se ainda não tinha ficado, qual é o verdadeiro objetivo do SPFC para 2016.

Agora resta saber como será a composição do elenco, quem fica, quem sai, quem ainda vai ficar no vai-e-vem típico dos noticiários de entressafra de torneios. Uma coisa é certa: se a diretoria aplicar a mesma solução pensada ao contratar Bauza para a contratação de novos jogadores, indo às compras no mercado latinoamericano, muita novidade boa pode surgir aí. E o melhor: sem custar os olhos da cara, que o dinheiro ainda é escasso.

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Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.