Opinião: Manifestação contra a CBF veio no ‘timing’ certo

Crédito da foto: Reprodução/Twitter.

Não haveria hora melhor. Com a CBF extremamente visada e fragilizada, jornalistas, jogadores e ex-jogadores, técnicos, artistas, entre outros, conseguiram captar o momento exato para protestar contra a Confederação – desta vez, presencialmente, no gogó, com direito a manifesto sendo lido perante o povo que lá se encontrava, e por dois nomes muito importantes no esporte nacional: Raí e Alex.

As reivindicações foram das mais pertinentes. A maior de todas, sem dúvida, foi o pedido (ou exigência) para que Marco Polo Del Nero, presidente licenciado de seu cargo, renuncie seu posto na CBF, e leve toda a sua turminha junto. Inclusive o secretário-geral Walter Feldman, que tentou ser o “apaga-incêndio” da entidade ontem, proferindo breves declarações que dariam inveja a qualquer assessoria de imprensa.

E ainda haviam outros manifestos, saídos de cabeças pensantes do futebol brasileiro, como Juca Kfouri, Paulo André, Tostão, Djalminha, Paulo Autuori e os já citados Alex e Raí. Aliás, Alex, que era craque na bola e hoje é na reflexão, fez uma das mais interessantes observações: tirar da CBF o caráter de empresa privada. Ela não o é e nem pode ser. Protesto esse salientado por Juca, que vê na palavra “Confederação” um resumo da posição que a entidade toma, ao contrário de várias outras, que normalmente são tidas como Associações.

Lotada, a manifestação de ontem se diferenciou um bocado das últimas vistas por aí: a grande maioria tinha consciência de onde estava, do porquê estava lá e o que queriam. E dessa vez, a avessidão à CBF não ficou só marcada por conversas em mesas de bar ou em blogs no anonimato – quem estava na Tijuca, na frente da sede da Confederação, tinha apoio de pesos pesados como Chico Buarque, Walter Salles, Luis Fernando Veríssimo, Wagner Moura, José Padilha, Jô Soares – uma lista extensa, com cerca de 127 nomes, e que denota o quanto a necessidade do progresso bate, incessantemente, na porta da CBF. Progresso esse também desejado pelos patrocinadores da instituição.

Ninguém! Ninguém mais quer os mesmos cramunhões sanguessugas protagonizando a dança das cadeiras mas rentável do esporte brasileiro. E isso, há tempos, já tem incomodado diversos âmbitos além do esportivo. Em um país onde o futebol é indissociável de sua cultura e de sua antropologia, a máfia que manda na entidade que comanda essa paixão nacional também não pode ser tratada como algo à margem da sociedade.

E o “timing” dos que primam pela revolução no futebol brasileiro foi perfeito. Atacaram justamente no momento em que a Confederação (que deveria ser Associação) se encontra no talvez mais delicado momento de sua história. A CBF ainda não se recuperou da renúncia de Ricardo Teixeira, da prisão de José Maria Marín e das acusações que o licenciado Del Nero vem sofrendo. Afinal, os processos continuam. E nada melhor do que penetrar na ferida quando o objetivo é machucar. E nunca “machucar” teve um sentido tão bom: ferir quem fere a democracia, bater em quem bate na transparência, derrubar quem derrubou o futebol.

Crédito da foto: Reprodução/Twitter



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.