Aliado da ditadura militar, Coronel Nunes recebe mensalmente quantia por anistia

Crédito da Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP.

O (praticamente) atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Coronel Nunes, homem forte na época do regime militar no Brasil (1964-1985), recebe mensalmente um soldo como anistiado político, no valor de R$14.768,00, da FEB (Força Expedicionária Brasileira). A justificativa seria ele ter sido “vítima de ato de exceção de motivação política” para receber tal valor. Antônio Carlos Nunes de Lima também recebeu uma indenização no valor de R$ 243.416,25 em 2003. A informação é de Lúcio de Castro, da Agência Pública.

Com carreira no Exército e na PM paraese na era dos ‘anos de chumbo’, atuando também no Amazonas, Nunes esteve a serviço da ditadura e esteve envolvido em diversos casos de repressão e abusos, como um genocídio indígena na década de 70 – décadas depois, a Comissão Nacional da Verdade chegou ao número de oito mil índios mortos pela Ditadura. O Coronel subiu de cargo pelo menos 4 vezes durante o período.

A repressão da PM paraense de Coronel Nunes também se estendia até a Rodovia Transamazônica, e moradores de localidas próximas. Qualquer movimento social ou protesto também eram fortemente ‘corrigidos’. O motivo dado para Antônio Carlos Nunes receber esta mensalidade se dá através da Portaria 1.104GM3, de 1964. Tal portaria “limitava as prorrogações de tempo de serviço por um período até oito anos”. Essa medida teria sido uma precaução para com militares que demonstrassem resistência ao regime.

No entanto, segundo relata o GTI (Grupo de Trabalho Interministerial), não há justificativa plausível que denote uma desligação por motivo político de exceção.”Houve no caso tão somente a remissão a entendimento firmado de maneira genérica e abstrata. Desta forma, não há comprovação suficiente das razões que justificassem o deferimento do pleito de anistiado político”, declarou. Em 2012, foi proposta o fim do soldo por anistia a Coronel Nunes, e no mesmo ano o benefício foi anulado por José Eduardo Cardozo, então Ministro da Justiça. Entretanto, após poucos dias, a decisão foi revogada e o atual presidente da CBF voltou a receber o valor.

Foi após diversos escândalos de corrupção envolvendo CBF e Fifa que Coronel Nunes ascendeu na Confederação. Com José Maria Marín preso, o dirigente que o substituiu, Marco Polo Del Nero, se viu encurralado pelas investigações e por rivais políticos dentro da própria entidade. Logo, procurou eleger Coronel Nunes como vice-presidente (se tornando ali o mais velho), e retornou de um afastamento para organizar a troca de comando. Antônio Carlos Nunes de Lima também esteve envolvido em polêmicas ligadas a corrupção na época em que fazia parte da diretoria do Paysandu.

Crédito da Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP.



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.