Opinião: A eliminação do Brasil no Mundial de Handebol não foi um vexame

Wander Roberto/Photo&Grafia/CBHb

As eliminações de atletas brasileiros, como a que aconteceu recentemente no Mundial de handebol feminino, costumam ser tratadas como vexaminosas por parte da imprensa e público, especialmente aquela mais desinformada sobre o assunto. É comum do Brasil gostar de quem ganha, de quem volta com ouros na bagagem, o que é normal, mas quando isso não ocorre, devemos ter cuidado ao opinar sobre o assunto.

LEIA MAIS:
Opinião: Previsão acertada. Brasil foi eliminado no Mundial de Handebol

Por vezes, os atletas não tiveram o ritmo de treinamento e/ou equipamento adequado, faltou verba, problemas na viagem ou o fato de estarem abaixo dos adversários em tradição e competitividade. Se compararmos rapidamente a situação do Handebol no Brasil e na Romênia, veremos que pode ser o caso.

Os romenos estão rodeados de nações que são referência no esporte, como França, Espanha, Macedônia, Montenegro e Rússia. Suas equipes, CSM Bucareste, HCM Baia Mare e a extinta Oltchim Valcea, disputam vagas na Champions League, a principal competição de clubes do mundo e em 1962, quando o Brasil nem sonhava em ser campeão mundial, a Romênia ergueu a taça.

É claro que o inédito título mundial de 2013, aliado ao então tetracampeonato pan-americano, elevou a expectativa geral, porém muito acima do que devia se considerarmos os cenários que cada país apresenta. O técnico Morten Soubak não erra ao dizer que a Seleção depende das jogadoras que atuam na Europa. Se depender do que ocorre por aqui, chegar às quartas de final será um grande lucro.

Após vencer o Brasil, a Romênia chegou às semifinais do Campeonato Mundial, acabou superada pela Noruega na prorrogação, mas venceu a Polônia por 31 x 22 e garantiu o bronze. Cristina Neagu foi a artilheira da competição, com 63 gols, e também foi eleita MVP do Mundial.

Portanto, nos Jogos do Rio, antes de criticar severamente algum atleta brasileiro devido à sua eliminação, procure conhecer bem a sua situação. Você pode se surpreender pelo fato dele ter chegando onde chegou.

Crédito da foto: Wander Roberto/Photo&Grafia/CBHb



Jornalista, formado em 2008. Após a formação, estudou na Austrália entre 2009 e 2010, acompanhando toda a cena esportiva local. Hoje, atua como correspondente nas Américas para portal norueguês de Handebol, presta assessoria de imprensa para atletas olímpicos e escreve colunas para o Torcer pelo Esporte.