Opinião – Corrupção no futebol: quem vai ficar de pé no final?

Crédito da foto: Reprodução/Site oficial da CBF

Quem não se lembra de Jérôme Valcke, o francês da FIFA que queria dar um pé no traseiro do Brasil às vésperas da Copa do Mundo de 2014 pelos diversos atrasos na programação do evento segundo a agenda da entidade? Tomou esse pé ele mesmo, muito merecidamente.

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Quem não se recorda de Blatter que, visível e justificadamente constrangido no estádio, ao lado da presidente Dilma, escutou as vaias da torcida na Copa das Confederações de 2013 e achou aquilo um tremendo desrespeito? Também tomou um pé naquele lugar e saiu repleto de queixumes.

Quem acreditou em Michel Platini, ex-comandante da UEFA que pretendeu se candidatar ao cargo máximo do futebol e ainda sugeriu ao chefe suíço que se afastasse da FIFA antes que a coisa se complicasse ainda mais pro lado dele? Também deixou a máscara cair e tomou um pé à francesa.

Quem já esqueceu Marin, o inescrupuloso ladrão de medalhas da Copa SP que sempre se mostrou indignado contra seus opositores? Está preso em Nova Iorque, em seu apartamento milionário, mas com data marcada para pagar uma vultosa multa. Senão, já era. Ainda nessa linha, quem poderia esquecer Ricardo Teixeira, o truculento ex-presidente da CBF que fugiu para Miami?

Essa lista é tão extensa quanto as reincidências dos suspeitos. Valcke, por exemplo, já havia sido demitido da FIFA quando ainda era diretor de marketing, acusado de corrupção. Curioso foi ter sido readmitido e, ainda por cima, ter se tornado secretário do órgão – ou nem tão curioso, porque isso até demonstra a qualidade dos valores e a idiossincrasia no organismo máximo do futebol. Mas na lista negra da modalidade aparece gente de tudo quanto é país e continente, desde os capos da Conmebol até os chefões das confederações africana e asiática. Grondona, o argentino que foi vice-presidente da FIFA e comandante máximo do futebol do seu país durante muitíssimo tempo, faleceu antes de ter a água batendo em sua nuca. Mas certamente, foi somente por isso que se livrou das investigações que hoje atingem a biografia de paraguaios, uruguaios e outros latinoamericanos, entre cartolas e empresários.

Diante desse quadro inédito – pelo qual a preservação da ética no esporte deve muito ao FBI, à justiça norteamericana e à engajadíssima juíza Loretta Lynch –, a pergunta que não quer calar é: quem vai sobreviver a atos corruptos no final? Quem vai sair ileso de uma acusação qualquer como recebimento de propina, compra de lotes de ingressos ou favorecimento de federações nacionais de futebol? Se eu tivesse que dar um palpite dentro do Brasil, teria apenas um nome hoje: Zico. Mas até o fim das investigações, o que um bom amante do futebol como eu deseja é um imenso pé no traseiro de todos esses bacanas corruptos. E uma multa bem marinesca também, se é que me entendem.

Crédito da foto: Reprodução/Site oficial da CBF



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.