Opinião: Dá pra viver de futebol sem ir para a China?

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Foto: Reprodução/ESPN

Criou-se o mito que o jogador brasileiro precisa abrir mão de um campeonato competitivo, do calor da torcida e da seleção brasileira para ganhar dinheiro e fazer a vida em mercados com pouco futebol, como Ásia e Emirados Árabes. Agora, analisando os números, será que isso é verdade?

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Para essa análise, usaremos o conceito de juros real. O juros real é resultado da taxa de juros menos a inflação. Ou seja, mede quanto o dinheiro rende descontada sua desvalorização. Nos últimos 10 anos no Brasil a média dessa taxa é de 5,34%.

Agora vamos simular um jogador de nível alto, que joga dos 18 aos 33 no profissional, 15 anos de carreira. Para simplificar, vamos pensar que ele faz cinco contratos em toda vida, cada um de 3 anos. O primeiro de R$ 50 mil, o segundo R$ 250 mil, o terceiro R$ 500 mil, o quarto R$ 600 e o último R$ 400 mil. Outras duas premissas que vou colocar é imposto de 27,5% e que ele gasta metade de seu salário e outra ele guarda.

Fazendo toda essa matemática financeira o jogador ao fim de sua carreira teria acumulado R$ R$ 27,5 milhões (sem contar premiações, luvas e contratos de material esportivo). Aplicando isso através da taxa de juros real vista anteriormente, teríamos um rendimento de aproximadamente R$ 1.5 mi por ano, ou R$ 125 mil por mês, pro resto da vida.

Segundo o IBGE, a renda domiciliar média do brasileiro foi de R$ 1.052 em 2014. Você teria 120 vezes esse valor sem precisar trabalhar.

Não podemos ser ingênuos, dinheiro nos coloca em uma dinâmica de quanto mais, melhor. Porém, ao jogar em mercados menos competitivos, no auge da carreira, você abre mão de fatores extremamente proveitosos da época de jogador. Fazer seu nome em um clube, ter visibilidade de mídia, ouvir gritarem seu nome, oportunidade de ganhar grandes campeonatos, ficar perto dos amigos e jogar uma Copa do Mundo.

Futebol não é somente um esporte, e dentro desse universo existem diversos deleites que podem valer mais do que dinheiro. Ainda mais quando esse não lhe faltará, em ambos os casos.

Crédito da Foto: Reprodução/ESPN



Filho de pai palmeirense com mãe santista. O amor pelo Corinthians surgiu desde cedo, cultivado por infinitos jogos nas arquibancadas do Pacaembu. Formado em administração de empresas pelo Insper em 2012, trabalha no ramo, porém nunca deixou de lado a paixão pelo futebol.