Na 2ª divisão francesa, Betão diz sentir falta da pressão de Corinthians e Santos

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Longe do estereótipo da maioria dos jogadores profissionais, Betão, ex-zagueiro de Corinthians e Santos, vive um momento ímpar na carreira. Aos 32 anos, o brasileiro do Évian, da segunda divisão da França, lembra da época de Corinthians, Ucrânia e mostra conhecimento por gastronomia e sonho de escrever um livro. Ele revela ainda que o craque da família era seu irmão mais velho.

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“Não me visto como a maioria dos jogadores, existe uma certa disputa de vaidades. Não gosto de noite, bagunça, gosto de conhecer as culturas, me sinto um peixe fora d’água quando estou com outros jogadores”, conta o zagueiro.

Em 16º lugar na segunda divisão do Campeonato Francês, a dois pontos da zona de rebaixamento, o Évian já viveu dias melhores. Campeão Brasileiro pelo Corinthians em 2005, ao lado de Tévez, Mascherano, Roger e Nilmar, o zagueiro estranha a falta de gana do time.

“Sempre joguei em times com muita cobrança, como Dínamo, Corinthians e Santos. Aqui é muito diferente aqui, não tem tanta cobrança, você fica meio perdido, porque estava acostumado a ter obrigação de ganhar, não importa o adversário, se é fora ou em casa. Aqui se contentam com um empate, ou jogo bem feito. É diferente de tudo que já vivi, ter de se conformar com o empate’, diz Betão.

Mas o zagueiro não se queixa desta nova escolha. Ele conta que a estrutura da cidade de Thonon-les-Bains e a qualidade de vida da família não se comparam ao Brasil. Até mesmo a estrutura do clube é digna de elogios. “A organização não deve nada ao Brasil, tem agora um CT novo. A cidade é pequena, fica perto da Suíça, tudo aqui é muito perto”.

Futebol Francês

A hegemonia do PSG na Ligue 1 é o contraste de um torneio duro e disputado. Betão o compara ao Brasileirão, menos na disputa pelo título. “Todo ano cai um time grande, mas aqui é difícil voltar logo no ano seguinte”, diz o zagueiro. “Mas é difícil algum time parar o PSG. Eles têm qualidade por causa do investimento”.

As dificuldades da segunda divisão se tornaram ainda maiores para o Évian. Segundo Betão, a mudança de presidente e diretoria fizeram com que o clube mudasse a comissão técnica e perdesse 16 atletas.

Ucrânia

Betão voltou ao Évian após uma segunda passagem pelo futebol ucraniano, onde conquistou o título nacional pelo Dínamo de Kiev. “Me ofereceram para ficar na comissão, mas sou novo. Deixaram as portas abertas”.

Neste retorno à Ucrânia, ele conviveu com os conflitos no país que vive em guerra civil com a Rússia, principalmente na região de Donetsk, casa do principal rival do Dínamo, o Shakhtar. “No Brasil eu via os problemas, me assustou porque eram os lugares de passeio com minha família. Quando retornei, já estava mais sossegado”.

Embora tenha enfrentado o PSG, de Ibrahimovic, o adversário mais difícil de marcar foi outro, na época de Dínamo. “Jogamos contra o Barcelona e todos sabiam o que o Messi ia fazer, mas ninguém sabe como marcar”.

Hoje o brasileiro se comunica tranquilamente no país do leste europeu, mas nem sempre foi assim. Quando chegou, passou por apuros em um restaurante. “Eu achava que falava russo, daí pedi uma pizza meio a meio. O cara entendeu errado e e trouxe duas pizzas gigantes. Os clientes me olhavam espantados e achavam que eu ia comer tudo aquilo”.


Cozinheiro, comentarista e futuro escritor

Como foi dito acima, Betão não pensa como os companheiros de profissão, pelo menos não como a maioria. A carreira como jogador ele tenta conciliar com o livro que pretende lançar em um futuro próximo. “A ideia é mostrar o que é jogar e morar fora do país. A maioria dos jogadores acha que vai ficar rico, comprar ‘carrão’, virar um craque como Kaká ou Ronaldinho Gaúcho. Os meninos saem despreparados, sem suporte. O empresário joga o menino no país e vai embora”.

O período em que esteve afastado dos gramados entre a saída da Ponte Preta e o retorno ao Dínamo de Kiev fez o zagueiro aprender a cozinhar. “Comecei a cozinhar na Ucrânia, ficava um mês sozinho, comprei um livro de 500 receitas do mundo todo e fui colocar a mão na massa”.

Durante a Copa do Mundo de 2014, Betão foi chamado para ser comentarista. “Gostei da função, talvez seja algo para trabalhar. Não quero ser técnico, no máximo algo de gerência”.

Talento de Família

O destino de Betão no futebol passa obrigatoriamente por seu irmão. Corintiano, o irmão de Betão foi fazer teste no time de coração e o levou junto. “Eu era baixinho, gordinho e fui acompanhar ele no teste para não ficar chorando em casa. Meu irmão sempre foi melhor do que eu. Ele ficou três meses no Corinthians, mas se irritou porque o técnico na lembrou do nome dele, ficou chateado e nunca mais voltou. Era um ponta esquerda rápido”, lembra o zagueiro.

Brasil

Depois do retorno frustado na Ponte Preta, Betão não pensa em voltar a jogar no país. Ele diz que acompanhou o Brasileirão do ano passado e diz que a cobrança na base corintiana hoje é menor do que em seu tempo de Timão. “Naquela época o Corinthians estava sem ganhar nada, hoje não. A cobrança sobre nós era pela falta de títulos, era uma bomba relógio”, diz ele. “Não sei se volto para jogar, só se for algo muito sólido, concreto”.

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