Para consultor, Neymar errou ao delegar carreira ao pai

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Se dentro de campo Neymar parece estar cada vez mais adaptado ao Barcelona e preparado para ser o sucessor de Lionel Messi como o melhor jogador do mundo e líder da equipe catalã. Mas fora das quatro linhas o atacante se vê envolvido em uma série de questões judiciais que não deveriam condizer com as responsabilidades de um atleta profissional.

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Como fez questão de deixar claro em seu depoimento nesta semana à justiça espanhola, Neymar só assinava o que o pai dele, Neymar da Silva Santos, pedia. Para o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, esse foi o grande erro do camisa 11 azul-grená.

“Na verdade o que está acontecendo com o Neymar é porque ele foi mal assessorado. Ter o pai como assessor não faz sentido”, contou ao Torcedores.com o consultor.

Neymar da Silva Santos, em depoimento ao juiz José de la Mata, afirmou que o jogador não teve nada a ver com a gestão de sua contratação pelo Barcelona junto ao Santos. Ele explicou ponto a ponto os contratos que serviram para que o atacante deixasse o Santos para ir para o Barça.

Na questão que está em jogo na justiça espanhola, os dois respondem como acusados por supostos delitos de fraude e corrupção entre particulares devido a uma denúncia apresentada pelo fundo de investimento DIS, que tinha que receber 40% do dinheiro pago pelo Barcelona ao Santos pelos direitos federativos do jogador.

O fundo alega ter recebido a porcentagem em cima dos 17,1 milhões de euros e não dos 83,3 milhões que, segundo conclusão da outra causa aberta na Audiência Nacional, o clube espanhol pagou.

“O Neymar deveria ter contado com a assessoria de uma empresa especializada. Não consta que o Ronaldo (Fenômeno) tenha colocado o pai dele para assessorá-lo”, continuou Amir Somoggi.

Se na justiça espanhola o caso está longe de ser resolvido, no Brasil Neymar e Neymar da Silva Santos obtiveram uma pequena vitória. Na noite da última quinta-feira, o juiz Mateus Castelo Branco, da 5ª Vara Federal de Santos, rejeitou a denúncia de sonegação fiscal e falsidade ideológica do Ministério Público Federal de Santos, e decidiu não abrir ação penal contra os dois.

A alegação do magistrado é a de que não é possível dar início a um processo penal por sonegação enquanto não chegar ao fim o procedimento administrativo correspondente na Receita Federal.

A Receita Federal entendeu que Neymar e seu pai cometeram ilicitudes tributárias quando criaram empresas exclusivamente para receber verbas salariais do jogador. Por causa disso, instaurou um procedimento administrativo para receber os valores que, no entendimento do fisco, estavam faltando, além de aplicar multas contra os dois contribuintes.

“Falta justa causa para a ação penal pela prática do crime tipificado no art. 1º da L. 8137/90 enquanto não haja decisão definitiva do processo administrativo de lançamento.  Por todo o exposto, deve ser reconhecido que o recebimento da denúncia em relação ao crime tributário ocasionará constrangimento ilegal”, escreveu o juiz em sua sentença.

De acordo com a denuncia do MPF, o pai de Neymar cometeu 21 crimes de sonegação e 12 de falsidade ideológica. Se condenado por todos os crimes, poderia pegar até dez anos de prisão.

Já Neymar, também de acordo com a denúncia do MPF, cometeu três crimes de sonegação fiscal e mais seis de falsidade ideológica, o que poderia lhe render até seis anos de reclusão.

O MPF, na figura do procurador Thiago Lacerda Nobre, deverá recorrer da decisão da 5ª Vara depois do Carnaval.



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