Opinião: Muito obrigado, D’Alessandro!

O Rio Grande do Sul, ao menos em sua metade vermelha, foi sacudido com o anuncio do empréstimo de D’Alessandro para o River Plate (ARG). Obvio que a notícia da saída de um jogador de um clube pode ser rotineira, pois atletas vem e vão. Só que homens marcam história e lendas gravam suas trajetórias de forma indelével.

Andrés Nicolas D’Alessandro vai para o clube que o revelou para o futebol. Para o seu ‘Millonario’. Rodou por Wolfsburg (ALE) e San Lorenzo (ARG), mas em oito anos acabou conseguindo no Celeiro de Ases um lugar entre os grandes de sua história. Um panteão que já tinha Tesourinha, Carlitos, Valdomiro, Falcão, Figueroa e Fernandão, e agora terá a companhia de D’Alessandro na galeria de grandes jogadores Colorados.

Como ele conseguiu esse lugar? Além de ser o comandante em duas importantes conquistas (Sul-Americana 2008 e Libertadores 2010), além de diversas atuações em que além de jogar seu refinado futebol, sabia cativar a torcida e provocar os adversários. Quantas vezes o seu drible, o ‘la boba’ empolgou a torcida e deixou os rivais loucos da vida em ver que um defensor de suas equipes era levado na conversa com a jogada.

Porém, e principalmente, D’Ale era um cara que sabia jogar Grenais como ninguém. Ele conseguiu fazer com que o torcedor do Grêmio tivesse raiva de derrotas (algo que ele já teria só de perder para o Internacional, mas que ficou amplificado com sua presença em campo) e respeitasse o rival.

Decididamente, o dia 3 de fevereiro tem para a atual geração de colorados o mesmo peso triste que teve o dia da saída de Figueroa para o futebol chileno, a morte de Fernandão, ou a saída de Falcão para a Roma (ITA). Vai deixar marcas de saudade, sim. Só que este não pode ser um momento de lágrimas e sim de motivação para o torcedor Colorado. Que ele cobre a direção para ter um time digno de suas tradições, que o faça ir ao Beira-rio fazer sua festa e que brigue por títulos, algo que D’Alessandro soube conquistar como poucos. Neste momento, todos os Colorados são só agradecimentos ao argentino e vão guardar na memória todas as jogadas, dribles, brigas, provocações, gols, festas e taças conquistadas. Muito obrigado, D’Alessandro!