Brasileiros pelo Mundo: na Noruega, Marlinho tenta voos mais altos a base de bacalhau

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Em 1843, um navio deixou o Brasil rumo à Noruega com açúcar e café, depois de deixar no país o ainda desconhecido bacalhau. Quase duzentos anos depois, um brasileiro fez o mesmo caminho.

Aos 22 anos, Marlon Mateus, o Marlinho, foi negociado pelo Tigres, do Rio de Janeiro, com o Aalesund, da Noruega. Acostumado ao forte calor carioca, Marlinho não demorou para se adaptar ao país, embora ainda sinta os efeitos do intenso frio.

“Os noruegueses viram um jogo meu contra o Vasco e vim para cá em agosto para ficar até novembro, mas não era certo de ficar. Joguei os três últimos jogos de titular, eles gostaram de mim e assinei, em janeiro, até 2018. O negócio foi vantajoso para mim e para o Tigres”, diz o meia. “Eu não sabia nada sobre a Noruega, tirei o passaporte e em uma semana me despedi da família, não imaginava como era, qual língua falava. Depois da família, o que mais sinto falta aqui é do sol.

Com perfil alegre e descontraído, Marlinho conquistou os companheiros logo em sua apresentação. Segundo a tradição do clube, todo jogador, ao ser apresentado, precisa cantar uma música de seu país natal. “Cantei e dancei Ai se eu te pego, do Michel Teló, e eles sabiam a letra e o ritmo, todos eles”, conta.

Adaptação

Passada a fase de adaptação ao clube, Marlinho precisou de outra adaptação, a alimentar. Se no Brasil o pão com manteiga e o café são tradicionais, por lá o bacalhau reina absoluto. “Comer bacalhau no café da manhã é normal, mas tem ainda abacate com arroz, muito chocolate, diferentes de todos que já comi. Outro dia, comi carne de tubarão”, disse. A pesca é uma das grandes fontes de renda do país, além da exportação de madeira e do comércio costeiro.

Além da gastronomia local, a língua foi um empecilho no começo, mas hoje já não o atrapalha tanto. “O aplicativo de tradução do celular ajuda, mas andei estudando em casa, no cotidiano a gente escuta e fica na cabeça. A língua é diferentes, eles não conseguem falar meu nome, então me chamam de ‘amigo’. Acabei ganhando o pessoal pelo sorriso, estou sempre rindo, brincando. Isso é outra coisa que eles não entendem, já que estou longe da família, sozinho”.

Liga Norueguesa

O campeonato nacional começou no mês passado e o Aalesund venceu na estreia, mas perdeu seus últimos dois jogos. O maior vencedor nacional é o Rosenborg, com 23 títulos. O clube é o atual campeão e o principal candidato ao título novamente. “A maioria dos times tem um bom nível, o toque de bola é fora do normal, eles treinam bastante, mas não são velozes, por isso vou bem. É um jogo de trombada e toque de bola, até o bobinho para pegar tem de suar bastante, diz Marlinho.

Embora o começo de temporada tenha sido apenas mediano, a expectativa do Aalesund é alta. “Os treinos estão fortes, a proposta da temporada é chegar aos 45 pontos, essa é a meta, podemos ser campeões, queremos estar lá em cima. Durante o treino, eles falam muito sobre os adversários, estudamos muito, tem dia que paramos para assistir os outros times”, afirma o ‘Amigo’.

No entanto, a Noruega deve ser apenas uma escala para Marlinho, que sonha com voos mais altos. “Eu penso em sair, quero que seja só um degrau antes de ir para outro lugar. Todo garoto quando vai para um país de expressão menor sonha em jogar a Liga dos Campeões, esse é meu sonho, onde posso ver Messi e grandes jogadores, o meu sonho é jogar ao lado deles, mas claro que preciso trabalhar para isso, não posso pensar pequeno, quero jogar uma das grandes ligas”.