De contestado a intocável: como Alecsandro deu a volta por cima no Palmeiras

Alecsandro
Foto: Cesar Greco/ Ag. Palmeiras/ Divulgação

No começo de 2016, o Palmeiras resolveu limpar um pouco seu elenco para lá de inchado. Muitos nomes foram emprestados, mas Alecsandro continuou na Academia de Futebol. Sem ter tido grande destaque no começo de sua rota no Verdão, o centroavante era bastante questionado por grande parte da torcida, desde sua “admiração” pelo Flamengo até pela má pontaria na nova casa. Isso sem contar as constantes piadinhas sobre sua forma física.

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Só que, em cerca de quatro meses de temporada, Alecsandro parece ter dado a volta por cima. Depois de ter o aval de Marcelo Oliveira para continuar no clube, o centroavante se tornou um dos principais jogadores do Palmeiras, agora comandado por Cuca. Para se ter uma ideia, raramente o torcedor alviverde monta hoje a escalação do time sem a presença do camisa 29.

Outra coisa que não se pode falar mais de Alecgol é que o atacante não aproveita suas chances. Com lesão de Barrios no começo do ano, o camisa 29 iniciou as primeiras partidas como titular, ainda com Marcelo Oliveira, e contribuiu com gols. Até o presente momento, o centroavante é o vice-artilheiro do Palmeiras, com sete tentos, um a menos que Gabriel Jesus.

Importância técnica e tática 
Mais magro, Alecsandro também mostrou que não só sabe ficar centralizado na área esperando a bola chegar. Ao lado de Cuca, com quem foi campeão da Libertadores em 2013 pelo Atlético-MG, o atleta de 35 anos virou um curinga no esquema do novo comandante, ora mais recuado na função de meio-campista (“falso 10”), ora atuando enfiado pelos lados. E o melhor disso tudo: o próprio Alecgol se torna disponível para fazer outras funções conforme o pedido do treinador.

Por isso é que o atacante ganha pontos importantíssimos com Cuca. Na(s) nova(s) função(ões), Alecsandro se tornou um jogador muito mais participativo e as variações táticas que o treinador do Palmeiras propôs e aceitas pelo camisa 29 só enfatizam o quanto o técnico conhece o jogador que tem à disposição.

Alecsandro virou o "falso 10" no Palmeiras de Cuca. Foto: César Greco/Ag. Palmeiras
Alecsandro virou o “falso 10” no Palmeiras de Cuca. Foto: César Greco/Ag. Palmeiras

Engana-se também quem acha que Alecgol aceita as ordens de Cuca e não as compreende em sua plenitude. Dá para perceber que o centroavante é bem articulado nas entrevistas, revelando exatamente seu papel dentro de cada jogo específico e o que precisa melhorar para os próximos. Isso sem falar que, como um dos mais experientes do elenco alviverde, não se esconde da responsabilidade nos momentos mais complicados.

Quando o Verdão se afundou na crise durante a Libertadores, e que culminou na demissão de Marcelo Oliveira, lá estava Alecsandro dando a cara a bater e se autoculpando, junto com o resto do grupo, pelos mais resultados. Mais do que isso, pediu que os demais veteranos se manifestassem e blindassem os mais jovens naquela turbulência. Exemplo de personalidade.

Tudo isso o Palmeiras vai precisar, nesta segunda-feira, às 21h (horário de Brasília), contra o São Bernardo pelas quartas de final do Campeonato Paulista. Fora da Libertadores, o Verdão de Alecgol quer se redimir no Estadual e ganhar mais corpo para a disputa do Brasileirão, daqui a menos de um mês.

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Foto: César Greco/Ag. Palmeiras



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.