Futebol Feminino: Goleira da Seleção e do Rio Preto fala sobre a modalidade

Crédito da Foto: Arquivo Pessoal

Com o Draft da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) realizado em fevereiro, equipes femininas puderam escolher atletas da seleção permanente, para jogar o Campeonato Brasileiro. Luciana, a atual goleira do Rio Preto, falou ao Torcedores.com sobre sua carreira e a chegada ao clube.

 

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Em 2015, inspirado no modelo americano, a CBF criou a Seleção Brasileira Feminina Permanente, que busca investir na modalidade no país.

A iniciativa recebeu elogios, mas algumas críticas surgiram em relação à eficiencia do projeto. A ex jogadora e comentarista da ESPN, Juliana Cabral, falou recentemente no portal ESPNW que hoje a seleção permanente não faz muito sentido, pois grande parte das atletas, jogam fora do país.

Em fevereiro, a CBF realizou um draft para distribuir as jogadoras da seleção que atuam no Brasil, entre oito clubes que passaram para a segunda fase do Campeonato Brasileiro Feminino.

O Rio Preto, atual campeão nacional teve a oportunidade de escolher a goleira Luciana, para compor o seu elenco.

A jogadora de 28 anos, com passagens por Corinthians, Atlético MG e Ferroviária analisou sua contribuição ao atuar pelo clube.

“Tenho noção da importância de chegar ao time, procuro passar minha experiência para as demais atletas,  quero sempre poder ajudá-las, vim para somar ao grupo”, disse.

Luciana explicou que a estrutura não se compara à seleção, mas o clube oferece o melhor possível para as jogadoras, como alojamento, alimentação e salário em dia. Segundo a goleira, os campos reservados para os treinamentos precisam de mais atenção, pois estão abaixo da qualidade necessária.

Mesmo com as dificuldades encontradas, as jogadoras do Rio Preto estão se dedicando para conquistar o Bicampeonato do Brasileiro.

Entre as viagens pelo Brasil para a disputa do campeonato, Luciana faz academia pela manhã e treina diariamente com o grupo na parte da tarde. Na quarta-feira (06), o Rio Preto vai até a Bahia enfrentar o São Francisco, pela terceira rodada da segunda fase do Brasileirão. O time baiano conta com a experiente Formiga.

 

Crédito da Foto: Arquivo Pessoal
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A atleta encara a falta de reconhecimento da modalidade como o principal desafio de sua carreira e vê a posição de goleira como a mais carente do futebol feminino.

” São poucos os clubes que investem e oferecem um bom treinador de goleiro, por isso fica mais difícil formar goleiras capacitadas”, falou Luciana.

Em relação à deficiência da cobertura esportiva para o futebol feminino, a goleira acredita que é necessário mostrar as qualidades da modalidade.

” Queríamos que a mídia nos desse mais atenção, mostrando como é bonito nosso futebol feminino, que merecemos o mesmo espaço que os homens e que podemos sim levar público ao estádio” desabafou.

Luciana avalia que a CBF está investindo nas mulheres, mas que ainda falta muito mais para o esporte alcançar o mesmo patamar dos homens.

A experiência adquirida na seleção é motivo de orgulho para a jogadora que acredita que o Brasil tem chance de conquistar o primeiro ouro Olímpico para as mulheres, no Rio de Janeiro em agosto.

 

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