GP da China: foi histórico

O GP da China ocorreu neste domingo, no autódromo mais caro da história, localizado em Xangai.

A corrida do último domingo foi histórica por vários motivos: foi a quinta vez em que um GP termina com todos os participantes – os outros foram o GP da Holanda em 1961, EUA 2005 (que só teve seis carros), Itália 2005 e Europa 2011. Também Rosberg alcançou a respeitosa marca de seis vitórias consecutivas, marca essa só conseguida por outros 3 pilotos (Ascari, Schumacher e Vettel). E não pára por aí! Rosberg agora também é o piloto com mais vitórias entre os não-campeões – este recorde, porém, tenho certeza que o alemão preferia não ter.

Além de tudo isso, o GP da China também será lembrado por ter sido SENSACIONAL. Foram 90 ultrapassagens, com tudo o que a Fórmula 1 tem direito: largada emocionante, estratégias diferentes, brigas por posição e muita disputa. Chega a ser difícil escolher o nome da corrida, mas fico com Ricciardo, que tomou a liderança na largada, mas teve o azar de ter um pneu estourado logo no início e, talvez, por consequência disso, não tenha conseguido brigar por uma vitória. Mas chegou em 4º, logo atrás de Rosberg, Vettel e Kvyat – estes dois aqui protagonizaram uma confusão na largada onde o russo foi culpado pelo alemão de ter feito uma manobra “suicida”, da qual Vettel teve que desviar e acabou colidindo com Raikkonen (o maior prejudicado nessa história). Kimi teve que parar nos boxes e acabou conseguindo apenas uma 5ª posição ao final da corrida – uma pena, porque o iceman vinha tendo um fim de semana notável.

A grande disputa da corrida ficou por conta de Lewis Hamilton e Felipe Massa. O inglês largou em último por causa de problemas mecânicos e teve que escalar todo o pelotão, fazendo ultrapassagens lindas e, na maioria delas, não houve dificuldade. Quando chegou em Massa, porém, a história foi outra: durante 15 voltas ele tentou conseguir a posição, mas não obteve sucesso pois Massa estava com a faca nos dentes e lutou muito por ela. Vi comentários sugerindo que Lewis não teria conseguido por causa do desgaste de seus pneus, mas acredito que isso só tenha acontecido ao final da disputa, pois em boa parte dela o inglês teve plenas condições de ultrapassar – inclusive, vale lembrar de um detalhe importantíssimo: ele estava em uma Mercedes! Então, não acho justo tirar o mérito de Felipe.

Não é novidade para ninguém que Felipe Massa tenha muitos fãs e também muitos haters. Mas acho que todos têm que concordar em uma coisa: ele fez uma corrida excelente. Largou em 11º e chegou em 6º, fazendo tudo o que era possível visto ter um carro muito inferior a outros 6 pilotos do grid e um companheiro de equipe com o mesmo equipamento e muito talento. E deve ter sido bem legal para o brasileiro poder disputar posição com Lewis e chegar à frente. Certamente, teve um gostinho especial.

A McLaren fez uma apresentação “interessante”. Alonso chegou em 12º e Button em 13º e isso ainda pode parecer pouco para os fãs, mas tem sim seu valor, se analisarmos friamente os dados. Existe uma evolução constante, mesmo que lenta – lenta demais para quem gosta da equipe e quer ver ela lutando lá na frente, mas talvez não tão lenta se isso for a construção de uma base sólida para os próximos anos. E Alonso finalmente conseguiu completar uma corrida este ano!

A crise na Sauber pode ser vista nas pistas. Ericsson chegou em 16º e Nasr conseguiu apenas uma 20ª posição, mas vale lembrar que o brasileiro teve uma colisão com Hamilton logo no início da prova e talvez isso tenha prejudicado (ainda mais) esse desastroso chassi – que deve ser trocado para o GP da Rússia. Inclusive, Nasr foi, dentre todos os pilotos, o que teve uma velocidade máxima de corrida mais baixa: 318,5 km/h (um gap de -31,4 se comparado à maior velocidade máxima que foi de Ricciardo com 349,9 km/h). Resta torcer para que a equipe consiga sair desse buraco, seja como Sauber, seja como Alfa Romeo.

Novamente, a Williams conseguiu o pit stop mais rápido da corrida e, pasmem, com Felipe Massa! Foram 2.2s. Está de parabéns (pelo menos nisso) a Williams. E está de parabéns também essa nova Fórmula 1, que vem nos conquistando em 2016. A espera até o GP da Rússia será longa…

Imagem: Reprodução/Twitter Oficial Red Bull Racing



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