O fato é que não querem acabar com a violência no futebol brasileiro

Impressionante que passa-se semanas, meses, anos, e volta e meia temos que nos questionar sobre o que fazer para acabar com a violência no futebol brasileiro. As ideias são as mais variadas; poucas boas, mas a maioria estapafúrdias que não surtem efeitos concretos e apenas mostram a ineficácia do nosso sistema como um todo.

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Estamos em um cenário que cada vez mais a barbárie toma controle da situação seja em qualquer esfera. E o futebol é apenas mais uma representação desse cenário triste, muitas vezes patético, onde cada vez mais radicalizamos, ao invés de pensarmos, na hora da resolução dos problemas.

Visto que a decisão do Governo de São Paulo para “controlar” a violência nos arredores do estádio é apenas permitir jogos com a presença de torcida mandante. Decisão tomada apenas para dar uma falsa satisfação a sociedade, que cada vez mais clama por resoluções rápidas.

Quando o Secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre de Moraes, vem e anuncia a decisão, apenas empurra para debaixo do tapete o problema, meio que querendo se livrar da responsabilidade que o Estado tem nesse contexto, pois se estudos fossem realizados com embasamento, conhecimento de causa, e o mais importante, com vontade para solucionar a questão, nosso futebol poderia estar muito mais tranquilo e acessível a todos.

Veja como falta bom senso. Se você determina apenas torcida mandante nos estádios, ao mesmo tempo que nas arquibancadas o clima pode ser de paz, fora dela, nos arredores a facilidade de se montar uma tocaia contra essas pessoas é muito maior, pois o caminho para o estádio se torna único e mais simples para ações violentas.

Outro ponto; ao invés de se proibir duas torcidas nos estádios, porque não se realiza um trabalho efetivo de cadastramento de torcedores das organizadas, onde o clube também poderia colaborar nesse processo ajudando nesse cadastro e agindo severamente se algum desses “torcedores” se meterem em confusões, seja de qualquer espécie.

Mas, ao mesmo tempo que pode colaborar para que a violência diminua, os clubes são também responsáveis por elas ainda existirem e com força, já que em muitos os casos esses bandos possuem facilidades na aquisição de ingressos, possuem livre acesso ao clube, e por vezes até guardam seus pertences dentro do próprio estádio.

Uma ação severa mexeria nas estruturas do futebol. Contudo, ao mesmo tempo tiraria muita gente dos holofotes, que só aparecem nesses momentos, casos como o do deputado Fernando Capez e do promotor Paulo Castilho.

Nota-se que não existe vontade política para se acabar com a violência no futebol brasileiro, já que o jogo de interesses envolvido é muito maior do que a intenção de moralizar e regulamentar o nosso futebol.

A cada dia o 7 a 1 fica mais claro e evidência a nossa falência, dentro e fora das quatro linhas.