Opinião: Senna não é um herói nacional

Não nos cabe discutir a qualidade de Senna como piloto ou se quem foi melhor, ele ou Piquet, Prost, Mansell e tantos outros. É questão de gosto e de se reconhecer a genialidade de Ayrton Senna nas pistas. A discussão que esse 1º de maio, data em que se lembra os 20 anos de sua morte, levanta é: Senna pode ser considerado um herói nacional?

Atribuirmos o status de herói nacional a alguém é muito complicado, pois todos nós temos qualidades e defeitos. Acertamos e erramos ao longo da vida. Senna pode ser considerado um cidadão consciente de seu papel na sociedade brasileira, enquanto ídolo de muita gente. Ninguém faz um instituto com seu nome apenas por marketing. É muito pequeno pensar assim.

Ele, como outros personagens de nossa história desperta, despertou e sempre despertará o amor ou ódio nas pessoas. Isso acontece pelo simples fato de falarmos de um ser humano.  O herói é alguém inatingível, inquestionável e Ayrton Senna teve atitudes dúbias por ser um homem extremamente competitivo, que conjugava o verbo vencer como um mantra. Basta lembrar do GP do Japão de 1990, quando bateu na Ferrari de Prost, tirando ambos da prova e garantindo o título mundial daquele ano.

Mas essas ponderações não tiram o arrepio, a emoção que as mais diversas homenagens feitas a ele trarão.  Por que as pessoas especiais são complexas, sem deixar de serem fascinantes.