PAPO TÁTICO: Por que Casemiro é o camisa 5 que a Seleção precisa

Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Casemiro

A vitória do Real Madrid sobre o Barcelona dentro do Camp Nou (e a quebra da invencibilidade de trinta e nove partidas da equipe catalã) teve vários heróis. Cristiano Ronaldo, Keylor Navas, Benzema, o técnico Zinedine Zidade e… Casemiro. O volante revelado pelo São Paulo foi um dos melhores em campo. O camisa 14 merengue protegeu a defesa, organizou e qualificou a saída de bola e ainda foi uma das mais implacáveis sombras do argentino Lionel Messi nos últimos anos. Diante do que vimos neste sábado, não é exagero dizer que Casemiro está pronto para assumir uma vaga na Seleção Brasileira e é justamente o tipo de jogador que o escrete canarinho mais precisa no momento: um volante marcador e com ótimo passe.

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O time do Real Madrid teve uma das suas melhores apresentações no ano de 2016 em termos técnicos e táticos. O 4-1-4-1 de Zinedine Zidane anulou o trio MSN no último terço do campo e ainda saía em velocidade para o contra-ataque, sempre explorando o jogo vertical sem muita cerimônia. É bem verdade que o Barcelona não estava nos seus melhores dias e encontrou muitas dificuldades para furar o bloqueio merengue, jogando no 4-3-3 de sempre, mas com os meias Rakitic e Iniesta jogando mais abertos e muito distantes dos demais jogadores e com Messi, Suárez e Neymar embolando demais pelo meio. Faltava o espaço na defesa que o Real Madrid negou até o final da partida no Camp Nou.

É aí que entra Casemiro. Elogiado publicamente por Zidane logo depois da partida, o camisa 14 fez tudo aquilo que se espera de um volante moderno: marcação forte entre a dupla de zaga e os meias de criação (Kroos e Modric), negando qualquer espaço entre as linhas do compacto e veloz 4-1-4-1 merengue. Além de anular ninguém mais, ninguém menos do que Lionel Messi, o brasileiro teve oito desarmes na partida e ainda qualificava a saída de bola com ótimos passes e visão de jogo, aproveitando a velocidade de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale pelos lados do campo. Casemiro foi o “carregador de piano” do Real Madrid, mas era o jogador certo para afinar o instrumento e tocar algumas melodias.

O Real Madrid anulou o trio MSN jogando no 4-1-4-1, negando espaços ao adversário e ainda saindo em velocidade para o ataque. E Casemiro teve um papel fundamental nessa vitória, com uma atuação impecável. Campinho feito no Tactical Pad.
O Real Madrid anulou o trio MSN jogando no 4-1-4-1, negando espaços ao adversário e ainda saindo em velocidade para o ataque. E Casemiro teve um papel fundamental nessa vitória, com uma atuação impecável. Campinho feito no Tactical Pad.

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Mesmo jogando na zaga (logo após a expulsão de Sergio Ramos) e com a pressão do Barcelona, Casemiro manteve a calma e a disciplina tática, buscando o passe correto e fechando o lado esquerdo da última linha merengue, onde Marcelo dava um outro show e mostrava para Dunga que tem todas as condições de assumir a lateral-esquerda da Seleção Brasileira. Além de quebrar a invencibilidade do maior rival, o Real Madrid também orgulhava-se de não ter sido vazado pelo tiro MSN (o gol do Barça foi marcado pelo zagueiro Piqué em cobrança de escanteio). E Casemiro foi um dos grandes responsáveis pela vitória ao provar que volantes também precisam ter bom passe e boa visão de jogo. Sempre precisaram, aliás…

É possível pensar numa formação semelhante para acomodar Casemiro na Seleção Brasileira. O camisa 14 do Real Madrid poderia vestir a 5 e jogar na frente da dupla de zaga, marcando forte e ainda municiando os meias Elias e Renato Augusto (ou Philippe Coutinho). Mais à frente, Willian e Douglas Costa seriam os “pontas” do 4-1-4-1 e os responsáveis para fazer a bola chegar no ataque com velocidade para o arremate de Neymar ou para os jogadores que chegam de trás. Uma Seleção Brasileira mais dinâmica e muito mais móvel com o retorno de Marcelo à lateral-esquerda é perfeitamente possível tendo Casemiro como pilar central e organizador da saída de bola. Pode funcionar.

Numa possível formação da Seleção Brasileira, Casemiro poderia ser o primeiro volante de um 4-1-4-1 móvel e dinâmico, com força pelos lados e bom passe no meio-campo. Campinho feito no Tactical Pad.
Numa possível formação da Seleção Brasileira, Casemiro poderia ser o primeiro volante de um 4-1-4-1 móvel e dinâmico, com força velocidade pelos lados e bom passe e saída de bola qualificada da defesa para o meio-campo. Campinho feito no Tactical Pad.

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Já faz bastante tempo que a Seleção Brasileira não conta com volantes de qualidade. Aliás, esse é um dos grandes problemas do escrete canarinho. Enquanto outras equipes contam com a qualidade de jogadores como o espanhol Busquets, o alemão Khedira e (talvez um dos melhores exemplos) o italiano Andrea Pirlo há alguns anos atrás, o futebol tupiniquim acabou dando preferência ao “volantão”, o conhecido “cão de guarda” da defesa, aquele jogador que destrói a jogada adversária e se limita a dar passes para os lados. Com a evolução do esporte, esse tipo de jogador se praticamente entrou em extinção, já que tem sido bastante comum ver até zagueiros iniciando as jogadas nos principais clubes do mundo.

Além de Casemiro, temos ótimos volantes atuando no futebol brasileiro como o atleticano Rafael Carioca, o gremista Wallace e o palmeirense Matheus Salles. O ex-vascaíno Allan (hoje jogador do Napoli) também merece ser lembrado em convocações futuras. Todos eles são jogadores que aliam força na marcação com ótimo passe e excelente visão de jogo. Mas a grande verdade é essa: depois do que eu e você vimos em Barcelona neste sábado, fica muito complicado não convocar e, principalmente, não dar uma chance ao camisa 14 do Real Madrid nos próximos compromissos da Seleção Brasileira, ainda mais com a péssima fase de Fernandinho e Luiz Gustavo.

Casemiro pode não ser a solução para todos os problemas do escrete canarinho. Mas é, com certeza, o início de uma renovação que se faz mais do que necessária em nosso futebol brasileiro.



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.