Ex-Corinthians e reserva de Buffon, Rubinho diz: ‘Não me vejo jogando no Brasil’

Foto: Site Oficial da Juventus

Rubinho deixou o Corinthians como bi-campeão paulista e vencedor da Copa do Brasil 2002, para tentar a sorte na Europa. Doze anos depois, o goleiro é tetracampeão italiano e reserva de Gianluigi Buffon, considerado um dos melhores goleiros de todos os tempos. O Torcedores.com fez uma entrevista EXCLUSIVA com o jogador que não fugiu de nenhuma pergunta, falou de sua vida na Europa, o futuro de sua carreira, a convivência os italianos, seleção brasileira e até mesmo sobre as novas contratações da Juve: Daniel Alves e Matheus Pereira.

Com seu contrato encerrando na próxima quinta-feira (30), Rubinho ainda não deu o seu futuro, mas descarta volta ao Brasil. Confira na íntegra a entrevista com o goleiro.

1) Como você se sente morando há doze anos no exterior, quase metade da sua vida ?
Rubinho: Morar há doze anos no exterior é um privilégio. Primeiro de ter arrumado os clubes para eu estar lá fora, ter jogado com grandes jogadores, mas acima de tudo ter uma qualidade de vida ótima. Se joga, vive da profissão, mas dá para viver uma vida tranquila sem muitas “encheções de saco” de torcida e pessoas que queiram cuidar da minha vida. Na Itália fui recebido de braços abertos, aqui é minha casa e hoje posso dizer que tenho até mais amigos italianos que brasileiros. Meus filhos são praticamente italianos.

2) Seu contrato com a Juventus encerra em alguns dias (30/6), você já definiu sua situação ?
R: Meu contrato realmente acaba em dois dias e eu ainda não fui procurado pela diretoria. Estou esperando o contato deles, mas também estou a procura de outras coisas. Vou aguardar o posicionamento da Juventus.

3) Acredito que exista um plano na sua carreira. Aos 33 anos você já pensa em parar ?
R: Espero jogar até os 40, pois creio que fisicamente eu consiga. Estou bem, me sinto jovem ainda.

4) Você tem vontade de jogar no Brasil ?
R: Não. Não me vejo jogando no Brasil não.

5) Mas você já foi sondado por clubes do Brasileirão ?
R: Sondagem diretamente dos clubes não, mas de procuradores perguntando se eu teria vontade de retornar ao Brasil, sim.

6) Você foi contratado pela Juventus para substituir o Buffon que estava perto de se aposentar, mas ele está cada dia melhor. Isto de certa forma te frustou, por você estar há quatro anos sem atuar ?
R: Já era previsto que o Buffon jogaria até os 40 anos quando eu assinei com eles, então não foi uma surpresa para mim não jogar. Frustrado não posso me considerar pois sou 4 x campeão da Itália, 2 x da Copa da Itália e 2 da Supercopa, então frustração não existe. Lógico que aos 33 anos, eu preciso pensar na minha carreira e fazer outros tipos de avaliações.

7) E que tipo de coisas poderiam mudar ? Você deixaria a Juventus para ser titular por exemplo, e só faria isso dentro da Europa ?
R: Eu penso que agora é hora de correr atrás, se tiver que ir para outro clube eu vou mas não exigindo ser titular. Eu quero brigar pela posição. Claro que prefiro a Europa, mas se surgir alguma proposta para um lugar com boa qualidade de vida para minha família, como USA e Austrália, eu vou considerar.

8) Certa vez você declarou à imprensa que é um sofrimento a cada final de semana você ver outros goleiro não tão bons atuando e você na reserva. Você continua com esse pensamento ?
R: Realmente para mim é difícil, treinar, treinar e nunca jogar. É difícil ver cada goleiro jogando e eu não. Por isso agora estou levando em conta outras oportunidades que me deem a chance de jogar.

9) Qual foi seu melhor momento na carreira ?
R: Foi na Genoa. Nós subimos da Série B para a Série A e depois fomos qualificados Liga Europa.

10) Como é sua relação com o Buffon ? Ele agregou algo na sua carreira ?
R: É muito boa, uma boa amizade, ele é uma pessoa sensacional. É lógico que treinando com o melhor goleiro do mundo, você acaba pegando e aprendendo muito. Minha relação com ele e com o Neto é muito boa, apesar de competirmos pela posição.

11) Hoje a Juventus está com outros brasileiros que vieram depois de você, o Hernanes, Alex Sandro, Neto e agora o Dani Alves e Matheus Pereira. Você acha que sua conduta no clube pode ter reaberto o mercado para brasileiros ?
R: Claro que por estar lá no clube praticamente o dia inteiro, meu comportamento contribuiu sim para eles olharem de novo para outros brasileiros. Claro que a chegada do Henanes, Alex Sandro e Neto também ajudou a vinda dos demais. Sinto que estamos fazendo nosso trabalho bem feito.

12) Você acompanha o futebol brasileiro ?
R: Sinceramente não, pouca coisa.

13) Pelo que percebi hoje você tem duas seleções para torcer. Você pode falar um pouco sobre o atual momento da seleção brasileira, e a Itália, será que ganha a Euro 2016 ?
R: A brasileira enquanto não mudar a mentalidade de como se convoca quem irá representar, nada vai mudar. O dia que deixar de convocar jogadores comerciais para serem vendidos e todo mundo dividir a “torta” ao invés de realmente quem é vitorioso nos clubes que está aí a seleção voltará a ser importante. Já a Itália, estou feliz com o atual momento pois 80% deles são meus amigos, pessoas que trabalhei diretamente, torço por eles.

14) Você deu uma declaração forte agora. Você acha que depende de que essa mudança. A chegada do Tite pode mudar alguma coisa ?
R: Depende de todo mundo. De quem é o presidente, diretor, treinador. Tudo isto está nas mãos deles, é uma situação onde eles podem mudar a história do futebol brasileiro em relação a seleção. Se o Tite for o que foi no Corinthians, ele poderá mudar. Tomara que muda.