OPINIÃO: Fala de Xavi traduz a Itália de Conte

Reprodução/Facebook UEFA Euro

Antes do confronto entre Itália e Espanha, nesta segunda-feira, 27, no Stade de France, o qual terminou com vitória dos italianos pelo placar de 2×0 e classificação para as quartas de final da Eurocopa, o meio campista Xavi, ídolo espanhol, deu entrevista para o jornal “Gazzetta dello Sport”, em que ressaltou as qualidades da seleção adversária, afirmando: “Acredito que a Itália seja uma mistura de Atlético de Madrid com Barcelona”. O ex-jogador do Barcelona e da Fúria não poderia ser mais feliz na escolha de suas palavras, traduzindo exatamente como é o time comandado por Antonio Conte.

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Ao contrário de sua tradição, a Itália não atua mais apenas se defendendo e com o famoso “Catenaccio”, tendo o jogo diante dos espanhóis dando provas claras disso, pois os italianos conseguiram anular, pelo menos na primeira etapa, o maior trunfo dos adversários: a posse de bola. Isso aconteceu graças ao estilo imposto por Conte, semelhante ao do Barcelona, conseguindo igualar a porcentagem da posse com a Espanha

Obviamente o setor defensivo continua sendo um pilar de sustentação da seleção, muito graças ao entrosamento existente entre Buffon, Chiellini, Barzagli e Bonucci, todos da Juventus, e que fazem brilhante Eurocopa. Os zagueiros, inclusive, já se mostraram excelentes nos lançamentos à distância e também oportunismo para marcar gols, demonstrando muita segurança em jogadas pelo alto e na saída de bola, sempre utilizando o toque de bola e preterindo os chutões.

Além disso, o pequenino Giaccherini, contestado por parte da torcida e da imprensa, assim como o atacante Graziano Pellé, ambos bancados por Conte, têm feito uma boa Eurocopa. O primeiro, dá velocidade ao meio de campo, realizando muito bem a transição com o ataque, enquanto o segundo, grandalhão, faz a função de pivô, protegendo a bola e se movimentando bastante, muitas vezes atraindo a marcação adversária.

Outro nome que merece destaque nesta Itália é o brasileiro naturalizado Éder. O atacante tem sido um dos principais jogadores da Azzurra na competição, destacando-se pela sua velocidade e o seu poderio nas finalizações. No duelo desta segunda, infernizou os defensores espanhóis, além de ter cobrado a falta que origino o primeiro gol.

Aliado a este estilo imposto por Antonio Conte, de valorização da troca de passes, muitas vezes procurando envolver o adversário, e tendo aversão aos chutões, estilo semelhante ao do Barcelona, está uma característica bastante conhecida do torcedor italiano e que faz a Azzurra se aproximar do Atlético de Madrid, enfatizando a fala de Xavi, que é a raça! Mais uma vez, a Itália chega desacreditada para disputa de um torneio importante, muito por conta da fraca campanha na última Copa do Mundo e o fato de seu treinador estar deixando a seleção logo após o torneio, e mais uma vez, os italianos surpreendem. Bater a talentosa geração belga deu provas do quanto a Itália cresce em momentos decisivos e eliminar a bicampeã Espanha comprovou o fato de ser uma seleção de camisa que “enverga varal”.

No jogo de quartas de final, mais uma para duríssima diante da Alemanha, a qual tem sido “freguesa” da Itália em competições importantes, pois foi eliminada nestas mesmas quartas da última Eurocopa e também nas semifinais da Copa do Mundo de 2006. Para conseguir mais um triunfo, os comandados de Antonio Conte terão que continuar incorporando a mescla de estilos de Barcelona e Atlético de Madrid, aliando bom futebol à muita raça.