Opinião: O que fica de bom para 2018 após a Copa América Centenário?

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Ao falarmos sobre a situação do nosso continente para a próxima Copa do Mundo, seria óbvio começar mencionando as finalistas, mas calma lá. Com os eventos mais recentes, especialmente no que diz respeito a possíveis desgostos da seleção albiceleste com a sua associação de futebol, a Argentina fica de stand by por enquanto. A depender dos fatores que envolvem a vice-campeã do torneio que aconteceu em solo norteamericano – descontentamento dos jogadores com o tratamento dado a eles e nomeação de novo presidente da AFA, entre outros –, ainda não se pode dizer nada sobre esta equipe.

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Caso se mantenha, podemos afirmar que é um timaço, com esquema tático muito bem definido e grandes talentos individuais. Mas especialmente se ícones como Messi, Mascherano e Aguero realmente vierem a se desligar (o que, para a alegria da nação futebolística geral, melhor não ocorrer), será preciso aguardar os próximos capítulos das Eliminatórias para ter a convicção de uma Argentina forte na futura Copa da Rússia.

Quanto ao Chile, nada a declarar – ao menos, no aspecto negativo. Obviamente, a melhor equipe da Copa América Centenário, bicampeã do torneio continental, é a mais qualificada para fazer bonito em terras russas. Até porque, em termos de conjunto, é o time mais arrumado de todos, e ainda conta com o entrosamento e espírito de equipe tão bem estimulado pelos últimos técnicos que passaram, inclusive o atual, Pizzi. E que ironia, todos argentinos.

A Colômbia é uma caixinha de surpresas. Algumas vezes, quando parece prestes a deslanchar, acaba decepcionando. Foi um pouco assim na semifinal contra o Chile, em que só começou a aparecer do meio para o final do primeiro tempo e, mesmo assim, sem muita objetividade para chegar ao gol. James Rodríguez ainda está devendo bastante do que se espera dele na seleção cafeeira.

Os Estados Unidos têm desenvolvido um futebol mais convincente, e o fato de terem sediado a última copa continental parece trazer um entusiasmo ainda maior pelo esporte no país. No entanto, ainda seria precoce colocar o time do Tio Sam como possível protagonista futebolístico no país da balalaica. A conferir o amadurecimento deles daqui por diante.

O México, pelo que tem apresentado nos últimos torneios, ainda será um adversário complicado para quem for, mas está longe de convencer em termos de Copa do Mundo. Pior: a goleada devastadora sofrida para o Chile há alguns dias deve doer durante um tempo ainda na autoestima mexicana e talvez atrapalhe um pouco.

Entre os países da América do Sul, destaque para o Equador, que apesar de ter sido eliminado pelos Estados Unidos nas quartas, ainda tem um time coeso e sabe se defender bem. Próximo adversário do Brasil nas Eliminatórias que continuam em setembro, está em segundo lugar na tabela e será um adversário duro para todos. Outro país que talvez experimente alguma ascensão será a Venezuela, que teve um desempenho bastante surpreendente na Copa América, tendo derrotado o Uruguai e ficado a minutos de impor uma derrota histórica ao México. Se haverá algum aprendizado posterior ao torneio por parte da vino tinto, teremos que aguardar para ver. Falando em Uruguai, não parece haver tão grande futuro para a Celeste Olímpica, apesar de ela estar liderando atualmente as Eliminatórias. O desempenho dessa seleção na Copa América foi pouco mais que pífio, com um time apático que nem lembrava o maior vencedor do torneio. Mas principalmente porque é um time envelhecido, sem novos talentos nem revelações pontuais. Pode ser decepção.

Já o Peru é uma equipe que pode experimentar uma sutil melhora, principalmente pela consolidação do trabalho de Ricardo Gareca, que já levou o time a uma posição que ele não visitava fazia tempo em termos de competições. Finalmente, o Brasil. Muito se espera de uma equipe, principalmente da Seleção Canarinho, no momento em que há uma “revolução” como a que se experimenta após a derrota derradeira nos Estados Unidos. Mas temos que ter calma: Tite é bom – provavelmente o melhor entre os técnicos com RG nacional no país –, mas não é mágico. Enfrentará um reinício de trabalho, uma situação de pós-ruptura, um calendário ingrato e um resquício de Eliminatórias em que o Brasil consta apenas como 6º. colocado. Nem precisamos falar da pressão pela classificação e de outros pontos intra-bastidores da Confederação que nós, mortais, desconhecemos em detalhes. Mas parece realista acreditar que, pior do que estava, não fica. Sendo assim, a passagem para solo russo é bastante possível, mas ainda é muito cedo para analisarmos o que podemos esperar da amarelinha em 2018.

Quanto aos demais países participantes do torneio, Bolívia e os convidados da América Central, não houve brilho algum. A tão falada Costa Rica, sensação de 2014, mal apareceu, tendo vencido apenas sua última disputa contra a Colômbia, mas já sem chances. Talvez o Panamá, se bem dirigido e comandado, possa se tornar candidato a classificado-surpresa. Mas no geral, não parece que algum deles vá fazer muita diferença na Rússia.



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.